O Derby que também é clássico

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Só há um derby no futebol português que também é um clássico: é o de Lisboa, entre Benfica e Sporting, os únicos clubes, a par do FCP, que têm alguma coisa que se veja na sua sala de troféus.

Mas os jogos entre lampiões e lagartos são cada vez menos importantes. Contam-se pelos dedos de uma mão os desafios que realmente tiveram algum impacto na luta pelo campeonato nos últimos anos. Lembro-me, com algum custo de dois: o do ano passado, mas que também já era mais para o segundo do que para o primeiro, e o de 2005, ano marcado pela fim do infame jejum benfiquista.

De resto, são cada vez mais jogos para cumprir calendário. O Sporting e o Benfica não são, nos dias que correm, potências do futebol nacional. Qualquer clube vai à Luz ou a Alvalade com a legítima esperança de trazer, pelo menos, um pontinho. Por exemplo, há 10 anos atrás não caberia na cabeça de ninguém que, com ¾ do campeonato decorridos, o Benfica tivesse apenas 4 vitórias em 10 jogos na Luz. Nessa mesma linha de pensamento, seria inconcebível que houvesse uma equipa que em três jogos contra o Sporting não tivesse, pelo menos, perdido um.

Hoje, tanto vermelhos como verdes são clubes tristes, descontentes com o seu fado e incomodados pelo sucesso triunfal dos azuis do Norte. Ao Sporting incomoda que os dragões consigam cultivar uma cultura ganhadora nos seus jogadores, ao passo que os leões apenas formam miúdos com qualidade, mas que têm de sair para atingir dimensão internacional – olhem para Nani, por favor olhem para o Nani de hoje! Ao Benfica, ao meu Benfica, perturba muito admitir que o FCP representa hoje para Portugal aquilo que o Benfica dos anos 60 e 70 representou para o Portugal da sua época: é o líder natural dos destinos do futebol português, o campeão inevitável e único digno representante na Europa.

Por isso, resta aos de Lisboa lutar pelo título da 2ª circular que vale apenas o 2º lugar no campeonato. Tanto Bento como Camacho já perceberam que esse é o título deles, rezando ambos para que seja o ‘outro’ a apanhar o Jesualdo nas meias da Taça, para ao menos chegarem ao Jamor. O problema desta luta por coisas secundárias é que corremos o risco de nem isso conseguir. O perigo real que representa o Vitória de Guimarães para as aspirações uefeiras de Benfica e Sporting deve servir como alerta para Vieira e Franco: é preciso gerir a coisa com cabeça, tronco e membros, caso contrário perdemos os dedos e os anéis.

Ninguém continuará a perdoar sucessivos falhanços de política desportiva. Pouco me interesse que Vieira tenha sido o presidente do título em 2005; o Benfica de 2008 é mais terceiro do que primeiro. Aos adeptos do Sporting que diferença faz vencer a Taça se sistematicamente são arredados da luta pelo título?

Mas amanhã, durante 90 minutos, não vou pensar em nada disto. Porque é dia de derby da capital, entre Benfica e Sporting, o jogo da rivalidade eterna, histórica e tradicional. Não conta para o título, é pena, mas um Benfica X Sporting nunca é a feijões, há sempre qualquer coisa. Para além do mais, é o último derby de Rui Costa, para mim o último dos verdadeiros maestros, a contar para a liga. Que seria mais bonito do que ver o 10 fazer o golo da vitória amanhã? Vamos Benfica.

PS: Saudades daquela equipa – a da foto…

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