Ser do Governo

A RTP é uma empresa do Estado. A RTP é governada, no seu topo, por pessoas indicadas pelo poder político. A RTP, por mais que queira, não se consegue libertar de associações ao Governo, comprometendo irremediavelmente a sua posição, que deveria ser de neutralidade.

E, enquanto a gestão da RTP assentar em princípios políticos, económicos e sociais que já não se coadunam com o Portugal século XXI, as críticas e as desconfianças em torno da estação continuarão, numa espécie de escada rolante sem fim.

Contudo, a RTP poderia procurar fazer um esforço maior para maquilhar essas suas lacunas. Não se pede que branqueie informação, que propositadamente seja anti-Governo, mas sim que seja rigorosa e honesta na transmissão dos factos, assim como justa e imparcial.

Na verdade, aquilo que se pede – nomeadamente ao serviço informativo da RTP – é que seja equitativo. Que dê o mesmo tempo de antena a todos os agentes envolvidos, que aborde todas as matérias de forma isenta, apenas interessada em contribuir para a melhor informação do seu público.

O relatório da ERC que coloca o PS e o Governo a ocupar mais de metade do tempo dos noticiários é revelador de uma clara tendência ‘estatal’ da empresa. Propositadamente, ou não, o facto é que a RTP insiste em dar cobertura a Sócrates e ao seu governo. Por que será?

Aquando da notícia de que o actual primeiro-ministro teria assinado projectos que não eram seus, o pivot da RTP abriu com uma das mais assassinas deixas de que me lembro: “em mais um ataque do jornal Público ao primeiro-ministro”. Não é esta matéria preocupante? De todas as maneiras que havia para dar a notícia, por que motivo entendeu a equipa fazê-lo daquela forma?

O PSD está a atravessar uma fase fraca. Fraquíssima. Porém, não se trata do segundo maior partido? Não representará uma fatia considerável dos portugueses? Não tem tanto direito a aparecer e a ser notícia quanto o PS? E os restantes partidos – principalmente aqueles com assento parlamentar – não podem também reivindicar uma maior cobertura e interesse noticioso por parte da RTP?

A actual administração da RTP está a fazer um jogo perigoso. Cola-se ao Governo, na esperança (certeza?) de que ele vai ganhar as eleições de 2009. Com isso, esperam manter os subsídios elevados e independentes de défices estruturais gravíssimos.

E, aqui pelo meio, quem perde é o conceito (será que ainda é, pelo menos isso?) de serviço público. Favorecer, sem qualquer pudor, uma determinada entidade em detrimento de outra está errado. E, infelizmente, é isso que a RTP tem vindo a fazer. E, de cada vez que o faz, é mais uma facada no serviço público que, praticamente, existe apenas de nome.

PS: Hoje, Ramalho Eanes já veio defender o fim da publicidade comercial na RTP. Estará para breve o fim deste serviço público híbrido?

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Sociedade. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s