Aquele é o Pulido Valente?

Não sei se já o faz há muito tempo, ou se é caloiro nestas andanças. A verdade é que ontem sintonizei a TVI, para ver o debate entre os candidatos à liderança do PSD. Apanhei a coisa quase a meio, mas ainda deu para perceber umas coisas.

O problema veio depois do debate. A Moura Guedes (é tão bonita, a senhora) perguntou ao comentador qual a sua interpretação do debate. E o comentador era… Vasco Pulido Valente.

Reconheço que não costumo ver a TVI, por isso não sei se a colaboração é recente, ou se é uma coisa mais antiga. Não faço ideia. Aquilo de que, no entanto, tenho a certeza é que não é ali que eu o gosto de ver. Prefiro muito mais olhar para aquela fotografia pequenina na contra-capa do Público e ler os seus artigos, do que ter de ouvir aquela voz de cana rachada e de olhar para aquela figura triste, sem qualquer apelo televisivo. Gordo, cabelo à Vitorino d’Almeida e muito mal vestido.

Aprendi a comprar o Público (quase só) para ler as crónicas do Pulido Valente. O estilo cáustico, a ausência de papas na língua e a crítica incisiva dos costumes e comportamentos da elite política e social do nosso país eram mais do que merecedores dos cêntimos que o jornal custa.

Com a sua passagem para a televisão, Pulido Valente perde a característica que o torna diferente de todos os outros: a sua escrita. Ele pode tentar ser agressivo e corrosivo na televisão, mas perde sempre o requinte e primor que transmite através do papel.

Não conhecia a figura do senhor. Apenas a tal fotografia tipo passe que o Público exibe na sua última página. E, devo confessar, que a imagem que eu tinha de Pulido Valente era totalmente diferente. Tinha a ideia de um tipo amargurado, sem grande vontade para ser simpático e que mandava as suas opiniões pelo jornal, na certeza de que as mesmas seriam sempre lidas pelo seu destinatário. E, não foi nada disso que eu vi ontem.

Ainda é o meu cronista favorito e continuarei a comprar o Público para ler as suas crónicas. Agora, ó Vasco, não vou ver os seus comentários na televisão. Cada segundo que passei em frente ao ecrã foi um segundo a menos que tive para ler a crónica de Pulido Valente na edição de ontem do Público. E, essa sim, vale mesmo a pena.

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