O Futuro da Europa nas mãos da Irlanda

Decorreu hoje na Irlanda o referendo ao Tratado de Lisboa, assinado na capital portuguesa a 13 de Dezembro último e que foi sendo rectificado, um por um, pelos membros da União Europeia. Agora, chegou a vez da Irlanda, país onde a constituição estipula que tais decisões só poderão ser verificadas após consulta popular.

Apesar de apenas se virem a conhecer os resultados amanhã de tarde, já muito se especulou hoje sobre o resultado. E, o motivo é simples: basta o ‘não’ da Irlanda para todo este processo sofrer um retrocesso e voltarmos à estaca zero.

Se o Tratado de Lisboa já era um compromisso político significativo em relação à Constituição Europeia, rapidamente chumbada em França e na Holanda, a não aprovação do tratado por Dublin significa que o mesmo não entrará em vigor, pois o mesmo tem de ser validado pelos 27 membros.

As primeiras sondagens davam conta de uma vantagem do ‘sim’. Porém, durante a tarde foi dada a conhecer uma sondagem que favorecia o não.

O futuro da União joga-se na Irlanda. Durão Barroso já disse que não há um plano ‘b’, em clara alusão ao facto de que caso falhe o Tratado de Lisboa a confusão vai ter residência permanente em Bruxelas.

Os irlandeses, não muito preocupados com isso, decidem em função do seu interesse. Se acharem que o Tratado de Lisboa serve os seus interesses, eles votarão a favor. Se acreditarem no desfecho inverso, então votarão no ‘não’.

Tal como aconteceu em França e na Holanda, as pessoas não vão votar em função daquilo que mais interessa à Comunidade. Estas eleições ‘europeias’ pecam sempre pela falta de um verdadeiro espírito europeu, e servem para se mostrarem cartões aos governantes. Os irlandeses votam em função dos interesses da Irlanda, pouco desassossegados pelas consequências que o seu voto irá ter na Europa. Até que ponto, os irlandeses estarão preocupados com a forma como a não validação do tratado poderá afectar, por exemplo, os cipriotas? Ou os malteses?

Falta uma consciência europeia. E, as classes políticas já compreenderam esse facto. Por isso, franceses e holandeses não voltaram a cometer o erro de colocar a aprovação deste tratado em discussão por referendo. Sabiam que ao fazê-lo estavam a perder o controlo da situação e corriam o risco de um sério embaraço político. Imaginem o que seria para a “França Europeia” de Sarkozy a rejeição do Tratado de Lisboa?

Contudo, não deixa de ser interessante fazer o seguinte exercício de especulação política: Se o Tratado de Lisboa fosse colocado em referendo, em quantos países obteria aprovação? Mais, Portugal aceitaria o tratado assinado na sua capital? E, terão os políticos o direito de legislar sobre matérias tão sensíveis sem consultar a população que os elegeu, correndo o risco de ir no sentido oposto do da maioria?

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