No means no

A Irlanda rejeitou o Tratado de Lisboa. Melhor, os irlandeses votaram ‘não’ num referendo que perguntava se aceitavam que o país ratificasse o Tratado de Lisboa.

Porém, questiono-me sobre se, de facto, eles chumbaram o tratado. É verdade que eles votaram contra alguma coisa, mas duvido que tenha sido contra o tratado.

A Irlanda é dos países que mais beneficiou da presença na UE e tem um dos governos mais europeístas dentro da actual união – será, com toda a certeza, o mais europeísta da ilha britânica. Os irlandeses não são particularmente euro-cépticos como são, por exemplo, os ingleses. Emtão, por que raio, chumbaram eles o tratado?

Bem, provavelmente aquilo que chumbou foi o governo irlandês. Vítima de escândalos relacionados com corrupção e favorecimento político, recentemente houve até mudanças na liderança do executivo. Berti Ahren foi substituído por Brian Cowen em Abril deste ano.

Por tudo isto, antevia-se que a campanha não ia ser fácil. Aliás, várias foram as críticas lançadas aos políticos irlandeses por confiarem na vitória do sim e não se empenharem na campanha. Os resultados estão à vista, sendo que a ignorância e desconhecimento daquilo que está escrito no Tratado de Lisboa foram apontadas como as principais razões para o ‘não’ dado pelo povo irlandês.

Cavaco disse hoje que não faz sentido submeter à aprovação popular um tratado comunitário. Tem razão. As pessoas, nestas alturas, nunca decidem em função dos temas em cima da mesa. Aproveitam, sempre, estas alturas para mandar recados aos governos nacionais. Muito mais quando não sabem sobre o que estão a votar.

No entanto, esta rejeição irlandesa levanta outra questão: até que ponto a generalidade do povo europeu aceita os pressupostos do Tratado Europeu? Será que este ‘não’ irlandês não é, também, comunitário? 

O futuro da Europa está condicionado. De nada valerá a validação do tratado em 26 estados, se o vigésimo sétimo não o aceitar. Os políticos terão de ser hábeis e arranjar uma nova solução: ou novo tratado, ou novo referendo – afinal, a diferença foi apenas de 7 pontos.

Qualquer que seja a solução escolhida, urge ser rápido na sua aplicação. É que a crise está aí.

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Uma resposta a No means no

  1. josué Lopes diz:

    independentemente dos méritos e deméritos do tratado convém ressalvar que o não irlandês resulta sobretudo da falta de informaçao que o povo desse país tinha em relaçao ao tratado pelo que fizeram o que qualquer cidadão responsável faria, votaram contra algo que não conhecem. e aí, a responsabilidade vai toda pro governo irlandês que não soube informar convenientemente os seus cidadãos sobre aquilo que iriam votar.

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