TVI coloca em causa valores da RTP

A Media Capital, a maior accionista da TVI, coloca em causa os valores pagos pela RTP para a obtenção dos direitos de transmissão dos jogos de futebol da Liga Sagres durante as próximas duas épocas.

De acordo com o administrador do grupo, Miguel Gil, é “surpreendente” que em tempo de poupança a RTP possa gastar milhões na compra de jogos de futebol. Segundo aquilo que se conseguiu apurar, o anterior contrato entre a TVI e a SporTV era de 13 milhões de euros. As primeiras notícias dão conta de que a oferta vencedora da RTP ultrapassou os 16 milhões.

Mais uma vez, esta situação coloca várias questões em cima da mesa: deve uma empresa estatal entrar em concorrência directa com empresas privadas para obter direitos de transmissão de jogos de futebol? A contenção financeira do Estado não se aplica à RTP?

Na verdade, apesar de achar que a transmissão de futebol não vai contra o serviço público de televisão, acredito que é bastante preocupante saber que a estação pública de televisão gastou mais de 16 milhões de euros para assegurar um jogo de futebol por jornada durante dois anos.

É evidente que a estação conta fazer muito mais do que 16 milhões em receitas de publicidade, cobrindo os gastos na obtenção do contrato, mas isso levanta outra questão – esta mais antiga: é legítimo que a RTP coma do bolo publicitário, quando já recebe dinheiro do Estado?

As privadas, sem direito a financiamento estatal, têm de ser administradas e geridas de forma séria e competente, tendo a noção dos necessários apertos de cinto. A SIC cedo desisitiu do negócio, enquanto que a TVI manteve-se, definido um limite máximo que não ultrapassou. A RTP, parece, tem uma garantia infalível de solubilidade – o estado – que lhe permite entrar em aventuras loucas e pagar mais de 3 milhões de contos por futebol.

As audiências do canal vão aumentar com o futebol. As mesmas audiências que caíram desde a saída de Nuno Santos do canal, o mesmo director de programação que deixou marca na RTP… sem futebol. No entanto, a presença da RTP nestas guerras merece que se discuta e resolva, de uma vez por todas, qual o seu papel na televisão nacional: é uma generalista que concorre pelas audiências, ou é serviço público que procura oferecer o melhor conteúdo televisivo aos portugueses? 

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