Um saco para uns, outro para os outros

Depois do último post, fui alertado para a necessidade de fazer a separação entre aqueles atletas que foram fazer turismo a Pequim, os que simplesmente não conseguiram mais e entre aqueles que honram o país, mesmo fora das medalhas.

Por exemplo, Gustavo Lima teve uma óptima participação. Depois de um 6º lugar em Sydnei, 5º em Atenas o 4º em Pequim é prestigiante, ainda que tenha ficado a 1 ponto do bronze.

Assim como prestigiante têm sido as participações de Emanuel Silva e colegas na canoagem e Nélson Évora no triplo-salto. Da Vanessa, claro, nem vale a pena falar. De Ana Hormigo, pelo contrário, vai uma palavra de parabéns por um óptimo 7º lugar no judo, a melhor participação na modalidade – onde estavas tu, Telma?

Mas, depois, há uma série de atletas que simplesmente não têm estofo olímpico. E não creio que em todos os casos se possa falar de faltas de ajuda ou de incentivos. Se, por exemplo, na vela existem algumas razões de queixa, no atletismo, no judo e na natação as condições foram as melhores de sempre.

Porém, atletas houve que não quiseram aproveitar das mesmas. Por exemplo, Tiago Venâncio preferiu treinar sozinho, recebendo a bolsa dos atletas olímpicos mas sem se querer misturar com os outros.

Naide Gomes, teve azar, dizem os especialistas. Eu acho muito estranho que uma atleta, campeã do Mundo, dê dois saltos nulos nos Jogos Olímpicos, para depois dar um salto medícore. Faltará preparação mental?

Gustavo Lima disse que a pressão de ter de ganhar uma medalha é insustentável. No entanto, não percebo de que outra coisa poderiam os atletas estar à espera. Contariam eles que as expectativas dos portugueses estariam tão baixas que ficaríamos contentes só por dizer que tínhamos a maior delegação de sempre?

Qualquer atleta tem sempre o peso das expectativas do seu país a pairar sobre a sua presença numa prova como esta. Michael Phelps, por exemplo, tinha a pressão do país, claro, mais a sua. Ele traçou o objectivo, tornou o desafio das oito medalhas de ouro público e chegou a Pequim com uma missão, que agora se encontra cumprida. Phelps personifica o espírito olímpico, a capacidade de superação que faltou a muitos atletas nacionais.

Se nos lembrarmos, em Julho vários atletas disseram que estavam nas lutas pelas medalhas. Alguns desses, que agora dizem que não tiveram condições para preparar os Jogos, são os mesmos que apareceram na televisão a mostrar os seus treinos e que foram recebidos em Belém.

Afinal, aquilo que chateia é a falta de profissionalismo e humildade de alguns atletas que sem profissionalismo e sem brio representam Portugal. E, como uma cabeça tinha de rolar, foi a de Vicente Moura, o que menos teve a ver com tudo isto.

Esta entrada foi publicada em Diversos, Eclipses, Sociedade. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s