O testa de ferro

Diz-se por aí aos pontapés que o Presidente dos EUA é o homem mais poderoso do Mundo. Alguns até já escreveram que ser o Presidente da terra do baseball é o equivalente a ser Presidente do Mundo, governando o país com o exército mais poderoso e a maior economia do planeta.

Aliás, é exactamente por isso que a Opinião Pública global presta tanta atenção à camapnha presidencial norte-americana, gostando cada um de dizer qual o seu candidato, da mesma maneira que eu gosto de dizer que em Itália sou do AC Milan – apesar de não viver lá, nunca ter ido a San Siro e raramente ver um jogo inteiro da equipa.

Ora, os meses que antecedem uma eleição são sempre brutais para quem ocupa a cadeira da Sala Oval. Depois de quase oito anos de poder total, o Sr. Presidente vê-se cada vez mais como um boneco do passado a fazer a manutenção da casa enquanto não chega o novo inquilino.

Todos os grandes passam por isso. Reagan e Clinton terminaram os seus oito anos com um sentido de Estado que marcou a sua presidência. Bush, tal como o pai, não vai ter a saída dourada que queria.

A crise financeira tem sido o melhor exemplo de como Bush manda mal e – mais do que isso – pouco. Há demasiado tempo que Bush tem tentado fazer aprovar uma lei que pode ajudar a resolver alguns dos problemas mais imediatos da banca americana. No entanto, por já não ter poder e por já nem ser levado muito a sério (alguma vez foi?) já ninguém o ouve.

Não tenho grandes dúvidas que tivesse surgido esta crise a meio do mandato e o “plano Paulson” já teria sido aprovado e os mecanismos de protecção accionados.

Mas hoje, nem sequer os congressistas e senadores do Partido Republicano apoiam o seu Presidente. Mais dia, menos dia, Bush deixa de ser o “Mr. President” e dois meses depois deixa mesmo Washington, preparando-se para gozar a reforma em Crawford, no Texas.

Até lá, vai continuando com este seu triste papel de quase fantoche, questionando-se sobre se alguém o ouve e ainda faz aquilo que ele manda. Na verdade, deve ser terrível e assustadoramente estranho ser o Presidente do Mundo e nem sequer mandar em casa.

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