Ringo, don’t let me down

Ringo Starr pediu aos fãs para não lhe mandarem mais cartas. O baterista dos Beatles emitiu um comunicado em que pede às pessoas para deixarem de mandar cartas a partir de 20 de Outubro.

O músico disse estar muito ocupado e que responder a todas as cartas ocupa demasiado tempo. Por isso, Ringo já avisou que qualquer correio de fãs que chegue depois de 20 de Outubro não será respondido.

Não só Ringo pede para que os fãs deixem de enviar cartas, como suplica a todos os interessados em lembranças dos tempos dos Beatles que parem de as pedir.

Para esse efeito, os fãs que ainda estejam tentados a contactar Ringo são aconselhados a voltar a sua atenção para a lista de objectos à venda no site do baterista, desde t-shirts, a camisolas e mochilas com a assinatura Ringo Starr.

Confesso que nunca enviei uma carta de fã e, mesmo que estivesse tentado a fazê-lo, Ringo Starr não seria o destinatário. No entanto, não posso deixar de ficar pasmado perante um comunicado desta natureza, de alguém que fez nome ao lado de alguns dos maiores músicos do século XX e fez parte de um movimento que para sempre marcará a música pop.

Não pretendendo comentar muito mais a decisão do baterista, não deixa de ser relativamente insólito um músico pedir aos seus fãs para deixarem de lhe enviar correio – para além de achar que é uma decisão que vai contra tudo aquilo que a música dos Beatles simbolizava e aquilo que pretendia representar, isto é, proximidade entre as pessoas, maior compaixão e compreensão mútua… Peace and love, portanto – aproveitando, ainda assim, para fazer propaganda ao seu próprio merchandising.

Enfim, os tempos de “Revolver” e “Rubber Soul” já vão muito longe, não é?

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5 respostas a Ringo, don’t let me down

  1. Pedro diz:

    Ringo poderia contratar um serviço que atendesse aos fans, respondendo e-mails. Mas sua inteligência limitada fêz com que “queimasse o filme”. Ele está certo em querer descansar, só não devia ter agido desta forma. “Paz e amor” na teoria é muito legal…

  2. nunca hei-de perceber essa ideia de os fãs gostarem de escravizar os ídolos com isso dos autógrafos e coisas do género. já estava na hora de lhe dar descanso, não? e se as pessoas não percebem isso, ele tratou do assunto (e ao menos não fez como sugeriu ali o pedro no comentário acima).
    é que se virmos bem as coisas, os rapazes fizeram música revolucionária, eram uns génios e a seguir ainda têm de passar o resto da vida, hum, a agradar aos fãs? acho que há aqui qualquer coisa que me está a falhar.

  3. a minha visão de tudo isto é a seguinte: sim, considero bastante perturbador e pouco compreensível que alguém passe horas do seu dia a contemplar outra pessoa – vulgo figura pública -, enviando-lhe uma carta, esperando horas à chuva por um autógrafo, uma foto, uma lembrança que seja.

    no entanto, essas pessoas existem e quando se faz parte de um movimento como os “Beatles”, a probabiblidade de se ter mais fãs – e com uma certa distribuição transversal ao nível etário – a mandar cartas é maior.

    mais, quando 50% desse fenómeno já não está entre nós, é natural que o volume de cartas se intensifique. e, é também natural, que as pessoas fiquem fartas de assinar o nome num papel, mesmo quando não fazem ideia daquilo que estão a assinar.

    tudo isto é verdade, mas também não deixa de o ser o facto de os Beatles apenas terem chegado onde chegaram porque havia estas pessoas que compravam os discos, que esperavam horas à chuva por um autógrafo e que choraram e quase se suicidaram (não é exagero, baste ‘ler’ os jornais da altura) quando os “fab four” deixaram de o ser.

    pedir aos fãs para não o chatearem é quase como pedir-lhes para esquecerem os Beatles. E, a verdade, é que desde o momento em que “Love me do” chegou às lojas, os Beatles deixaram de pertencer àqueles quatro miúdos de Liverpool e passaram a pertencer à humanidade.

    e, não se diz à humanidade para renunciar a uma parte da sua história. por mais trabalho que isso dê.

  4. Marlene diz:

    Eu não acho que seja uma desconsideração pelos fãs. Bem pelo contrário. Ele poderia pura e simplesmente ignorar a correspondência sem mais explicações. No entanto, porque a sua agenda ou, igualmente legítimo, a sua disposição já não lhe permitem responder às cartas, ele fez questão de informar as pessoas que doravante não o fará. Só vejo nisso cavlheirismo. Quanto a mim, foi uma demonstração de lealdade para com os fãs.

  5. A desconsideração nesta caso assume a pele da injustiça. Não há músico, artista, actor ou escritor que atinja uma patamar de ‘grandeza’ sem a aceitação e apoio de pessoas.

    Neste caso em concreto, a situação pode ser lida como sendo alguém que se ‘fartou’ das pessoas e que não tem mais disposição para dar umas rubricas.

    Acho, muito sinceramente, que teria sido preferível contratar uma equipa específica para tratar da correspondência com os fãs do que vir a público pedir para não o chatearem mais.

    para as pessoas que mandam cartas para os artistas, o mais importante é saberem que ‘ele’ leu as suas palavras, que tocou no mesmo papel em que elas tocaram e que, durante umas fracções de segundo, pensou nelas.

    mesmo se isto for tudo falso – e, na maior parte dos casos é – o que conta mais é a satisfação que os fãs retiram de tudo isto, de verem chegar pelo correio, uns dias depois, uma cartinha do ‘ídolo’ com a assinatura deles.

    quando eu tinha 10 anos, mandei uma carta para o Presidente Clinton. Passadas umas semanas, recei uma resposta, acompanhada por uma brochura sobre a Casa Branca, assinada pelo próprio.

    Naturalmente, nem aos 10 anos pensei que o ‘Mr. President’ tinha perdido tempo comigo, mas ao mesmo tempo senti que a minha cartita havia sido ‘considerada’ e não negligenciada.

    e, para qualquer fã a resposta é sempre mais importante do que a pergunta. se o ‘velho’ baterista não queria mais assinar o nome, que arranjasse quem o fizesse por ele e não recomendasse fazer compras no seu ‘site’ como forma de compensar a ausência de autógrafos.

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