Inutilidade Académica

As Associações Académicas não fazem falta a ninguém. Não representam ninguém e apenas têm em conta os interesses de quem delas faz parte. Não motivam nem mobilizam os estudantes, não os defendem nem apresentam alternativas credíveis para melhorar a qualidade de vida dos alunos do Ensino Superior.

Confesso, contudo,  que nesta minha apreciação posso estar a ser demasiado generalista. Enquanto estudante universitário, apenas conheci uma associação, a da Universidade do Minho. Talvez, haja muitas outras a quem o rótulo de incapazes e inúteis não sirva. No entanto, duvido.

Na minha universidade ninguém quer saber das eleições para a Associação. Quer seja porque já se sabe quem vai ganhar – a lista apoiada pela máquina – ou porque não se vêem resultados da governação de qualquer lista, independentemente do nome que a estiver a encabeçar ou, simplesmente, porque é indiferente para o comum dos estudantes saber quem ocupa a cadeira do poder.

E não pensem já que estou sozinho nesta depreciação associativa. Esta semana tiveram lugar as eleições para a presidência da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) e houve uma taxa de abstenção de 85%.

Os números valem o que valem e uma tão grande desmobilização apenas pode representar um (quase) infinito desinteresse pelo associativismo académico. Jamais regressaremos ao tempo dos estudantes que cortavam pontes e paravam o país a cada aumento das propinas. Hoje, ninguém se quer chatear com esse tipo de coisas.

O estudante universitário quer, na maior parte dos casos, fazer o seu curso sem grandes sobressaltos, beber os seus copos e divertir-se na semana académica. Para tornar isto possível, basta que estude, saia à noite e tenha uma comissão que trate de organizar as festas da universidade.

E foi a isto que se reduziu a AAUM: a uma (glorificada) comissão de festas. Dão-nos um Enterro da Gata que a cada ano parece mais do mesmo – exceptuando a positiva mudança de cenário – e um quase infindável número de actividades como a Gata na Praia, a Gata no Monte, a Gata na ilha e a Gata em mais uns quantos outros locais – sim, é bastante viajada a nossa gata – com o propósito de promover a “sociabilização” entre os estudantes… e engordar as contas da Associação no processo.

Mas, os estudantes não se preocupam muito com isso. O que eles querem é alguém que lhes organize as viagens e as borracheiras para os ocupar nos tempos livres, os tempos em que não estão a estudar e a fazer aquilo para que foram para a universidade: um curso, no menor número de anos possível.

Da forma como estão estruturadas, as Associações não servem para nada, a não ser para planear festas e concertos. Passou-lhes ao lado – pelo menos à AAUM – o Processo de Bolonha e a luta pelos interesses de estudantes que se viram prejudicados com uma transição que foi tudo menos pacífica.

Também não se importaram muito em perceber o que a mudança no sistema de gestão das universidades vai interferir com a vida dos alunos, preferindo a estratégia do silêncio.

Não quero com isto dizer que sou contra as festas académicas. Muito pelo contrário. Ainda antes de ser aluno da UM, já ia ao Enterro e depois de ter ingressado na universidade fui todos os anos ao Enterro da Gata, a maior parte das vezes durante toda a semana académica.

Simplesmente, se a principal missão da AAUM é organizar eventos de carácter lúdico, não precisa de existir enquanto associação “representativa” dos estudantes. Bastava formar uma comissão apoiada pela universidade que se encarregava de tratar de todas as festinhas.

E, o dinheiro público que vai parar aos cofres das associações poderia ser revertido a favor das escolas/institutos para criar melhores condições nas salas de aulas, modernizar o material pedagógico ou para a formação extracurricular dos estudantes. E deixava de servir para pagar clips ou contas de telemóveis.

As Associações de Estudantes deveriam existir para proteger e salvaguardar os interesses dos alunos. Ora, se são os próprios estudantes que ignoram as associações, “esquecendo-se” de ir votar e perguntando à boca cheia “quem é aquele tipo com idade para ser meu tio que está trajado ao lado do reitor” está na hora de quem está à frente destes organizações pensar e repensar o modelo de associação actualmente em vigor.

É que, num meio académico como o do Minho, quem tem olho é rei. E, neste caso em concreto, quem tem a máquina eleitoral e os cartazes engraçados ganha sempre. Não é por causa do projecto. É por causa do hábito e do desinteresse. É o desapego pelos apêndices que se tornaram inúteis.

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8 respostas a Inutilidade Académica

  1. João Henriques diz:

    Mais um intelectualóide com a mania que sabe.

    Diz-me lá quem defenderia os estudantes se não fossem as associações académicas!

    mete-me nojo este pessoal. se o pedro soares ganha, é porque é melhor do que os outros ‘bonecos’, como disse o caspas.

  2. PR diz:

    João Henriques, diga lá de quem é que os estudantes precisam de ser defendidos. Ponha uma resposta bastantei brejeira, de forma a que não lhe possamos chamar intelectualóide. Já deu para ver que por esses lados ruminar ignorância é moda.

  3. João Henriques diz:

    PR, estou a ver que és mais um dos que pensa que sabe muita coisa mas que nunca se mexe para fazer o que quer que seja.

    Se formos todos como tu, as coisas não se fazem. Antes mal feitas que no armário e como intelectualóides como tu e este que escreveu o texto os alunos não são defendidos.

    A quantas RGA foste? E ao Senado? Sabias que é a AAUM que representa os alunos no Senado? És mais um ignorante com livros; aliás, todos vocês que criticam gratuitamente a AAUM são um bando de ingratos… Quero ver se não vão ao Enterro emborrachar-se e curtir os concertos negociados pela AAUM!

    Se não têm nada de bonito para dizer, não digam nada. Dizer mal por dizer, juntem-se ao Bloco de Esquerda.

    Vocês devem ser todos de CS, uns frustados que não conseguiram eleger o ‘boneco’ e que desde que os outros perderam tacho no académico se lembram de falar mal da AAUM… Gostava de saber se antes disso, os iluminados estudantes de CS criticavam a AAUM.

    Vai trabalhar e deixa os outros em paz. Lista A!!

  4. João Henriques,

    Pelo facto do teu nome não me dizer nada, vou arriscar e vou dizer que não fazes parte da Lista A mas – atenção – estás naquela fase embrionária em que te estás a pôr a jeito para quem vier a seguir pegar e ti e te levar para lá. Depois, tacho assegurado, a tua vida académica será um mar de rosas. Até lá, no entanto, tens de fazer este pequeno e triste papel de bobo da corte, de quem quer comer mas não lhe dão comida. Que mesquinhez, João Henriques.

    O simples facto de não saberes de caras de onde eu e o Pedro Romano vimos salienta o facto de que deves ter pouco tempo de casa. Talvez, tenhas entrado apenas este ano mas já te apercebeste de como as coisas funcionam na UM: se engraxares os sapatos certos, as portas abrem-se todas para ti.

    Se calhar, a tua inocência é natural e própria de quem ainda anda de olhos fechados, a apalpar terreno pelos corredores dos CPs em Gualtar ou Azurém.

    E, provavelmente, essa tua inocência leva-te a dizer disparates como esses, de que a AAUM é que representa os estudantes no Senado… Suponho que TU nunca foste a uma reunião do Senado e podia dizer-te uma ou duas coisas a propósito de uma certa reunião do Senado em que os dignos senhores da AAUM não apareceram, mas não vou fazer isso. Vais aprender à força.

    E sobre as RGA, eu fui a algumas. Fui àquela em que a proposta da AAUM ia ser rejeitada, um membro da mesa saiu do plenário e, passado uns minutos, entrou com 50 caloiros. Moção aprovada.

    Antes de mandares trabalhar os outros, era capaz de ser mais proveitoso para ti usares essa cabeça profícua em ideias inúteis e veres onde estás inserido e quem estás a defender.

    Tenho alguns anos de casa, mas não quis fazer carreira nela. Mas, tenho um passado académico do qual me orgulho e há um exemplar de um certo jornal que incomodou muita gente que te aconselho a ler: a última edição do jornal ComUM impresso do ano lectivo 2007/2008. Tem lá um certo artigo sobre o destino dos presidentes da AAUM da última década. Lê. E, depois de leres, volta cá e continua a defender quem quiseres defender. Contudo, a tua cegueira e vontade de comer da panela é tão grande que suponho que nem esse texto vai levantar em ti quaisquer dúvidas.

    Tal como aqueles que fazem a política académica na nossa associação, não passas de um menino. Um ignorantezeco que pensa que sabe umas coisas mas que, em dois comentários infelizes, não apresentou um argumento, uma razão válida para justificar a existência da AAUM, alguma coisa que nos possa dizer que, talvez, esta associação até nem é má.

    E digo-te mais uma coisa. Mesmo não concordando com a política associativa, sempre que estive em Gualtar por altura das eleições votei sempre. E, tu? Votaste?

    Bons estudos. E aparece de novo, quando tiveres lido umas coisas.

  5. PR diz:

    João,

    Eu fiz uma pergunta sincera. Perguntei de quem precisam os alunos de ser defendidos. O João responde acusando-me de ser intelectual.

    Não sei o que é pior: se é o João não conseguir responder a uma pergunta tão simples, se é achar insultuoso o epíteto de intelectual. Sabe que o oposto de um intelectual é um imbecil, não sabe?

    O seu comentário serviu, contudo, para reafirmar uma impressão: o nível dos nossos dirigentes académicos não é lá muito elevado. Isto poderia ser um incentivo ao progresso, mas também já reparei que por essas bandas a imbecilidade é motivo de regozijo.

  6. AM/PM diz:

    Depois de ler o artigo e seus comentários, acho que é necessário fazer um pequeno comentário:

    A AAUM não é só o que está descrito, mas sim, muito mais. Basta para isso ler o relatório de actividades e contas (o qual é um documento público), para se constatar que a associação académica da UM não é só uma comissão de festas ou uma empresa de viagens como queres fazer transparecer.
    Mas percebo o “desabafo”. Normalmente os alunos só vêm e procuram informação das actividades que mais lhe interessam e esquecem-se que existem muitas mais. Ou seja, se o caro “escritor” e “opinista” só conhece as actividades da AAUM que descreve no artigo, é porque só lhe interessam essas.
    Sem mais, me despeço com cordiais saudações académicas.

  7. Peço, então, que me diga em que é que eu poderei ter sido beneficiado pela acção directa da AAUM nestes últimos 5 anos em que estive na UM.

    E, sim, já tive a oportunidade de analisar o relatório de actividades e contas.

  8. “eleger o ‘boneco’”

    Sempre a gabarem a minha aparência. Começo a ficar envergonhado.

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