Será que já se esqueceram do Líbano?

A ofensiva de Israel em Gaza está longe do final. Apesar de ninguém dever apoiar a guerra, os avanços israelitas sobre o Hamas estão longe de serem ilegítimos ou despropositados.

Desde a retirada de Gaza, em 2006, milhares de mísseis palestinianos foram disparados contra Israel. A natureza rudimentar e artesanal dos utensílios é a explicação para o quase inexistente número de baixas. Porém, acredito que “levar” com mísseis dia sim, dia não, não deva fomentar a qualidade de vida das populações.

Dessa perspectiva, a acção israelita não deixa de ter a sua legitimidade. Poder-se-á questionar a desproporcionalidade das forças em questão. Porém, devemos acusar os israelitas por fazerem uso do seu maior arsenal militar?

No entanto, o grande problema que advém com esta operação é precisamente a dificuldade em alcançar o seu objectivo. Israel não partiu para o terreno para desmobilizar o Hamas, nem destituir o governo liderado pela facção mais radical da resistência palestiniana, mas antes interromper a sequência de ataques sobre as cidades israelitas, principalmente aquelas mais perto da fronteira com Gaza.

Contudo, olhando para o histórico dos confrontos entre Israel e o Hamas não é de acreditar que sem um completo desmantelar do grupo seja possível alcançar o objectivo israelita.

Aliás, o que aconteceu no Líbano no Verão de 2006 já deveria ter servido de aviso às tropas israelitas. Aviso de que o ódio por Israel é tão forte que este tipo de operações apenas servem para aumentar as fileiras dos grupos oposicionistas, sejam eles do Hamas, sejam do Hezbollah.

Em 2006, Bush ficou à espera de um qualquer golpe de misericórdia de Israel. Todavia, tal não se veio a suceder e o motivo que levou à investida israelita – o resgate dos soldados mantidos em cativeiro – acabou por ser relegado para segundo plano. Em 2009, Obama ainda não se senta na Casa Branca e Israel tem de descalçar esta bota sozinha.

Ou, de uma vez por todas, Israel consegue controlar a região – não necessitando esse controlo de ser militar, uma vez que o embargo a Gaza já tem favorecido a Fatah, um parceiro de negociações mais do agrado de Israel – ou esta será apenas mais uma das muitas acções pontuais que Israel terá de levar a cabo durante os próximos anos para garantir a sua sobrevivência. E a integridade das suas fronteiras.

A questão continua: será que as lições do Líbano foram aprendidas?

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