Hulk Hogan era um lutador “horrível”

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Hulk Hogan é um lutador de wrestling. Melhor, é um antigo lutador de wrestling, múltiplas vezes campeão do Mundo, multimilionário e reformado. Hogan construiu a sua carreira atrás de um personagem patriota, defensor dos bons valores e da moral e que, acima de tudo, estava sempre do lado certo.

Quem conhece o wrestling sabe que existe sempre um bom e um mau no ringue. Existe sempre alguém de quem o público gosta e alguém de quem o público não gosta. E, durante a maior parte da sua carreira, Hogan foi precisamente o tipo de quem todos gostavam.

Cresci a ver wrestling. E, antes de ficar fã de Triple H ou Chris Jericho, eu gostava mesmo era do Hulk Hogan. Ele mandava-me rezar e tomar as minhas vitaminas e eu fazia isso. E, aos domingos à noite colocava os meus pijamas do Hulk Hogan e ia ver o WWF Main Event.

E, tudo isso faz sentido quando se é pequenino. Quando somos crianças e facilmente impressionáveis, é natural gostarmos do bonzinho que ganha sempre. Ainda para mais, quando eles nos diz para rezar todas as noites e portarmo-nos bem na escola.

Contudo, quando comecei a ficar mais velho apercebi-me de uma realidade: Hulk Hogan não sabia lutar. Ele levava pancada o combate todo e quando parecia que estava “morto”, ressuscitava, dava três murros no adversário, dava uma biqueirada nos queixos, corria às cordas e aplicava o leg drop ao coitado, que permanecia deitado no ringue.

E, se durante um tempo isto só me fez alguma confusão, quando comecei a ver atletas tecnicamente mais dotados, como Bret Hart ou Shawn Michaels, entendi claramente que o meu herói não sabia lutar. Era fraquinho. Mas, depois vim para Portugal e o wrestling ficou um bocado afastado da minha memória.

Muitos anos se passaram e agora o Congresso dos EUA está a investigar o uso de substâncias dopantes no wrestling – para quem não sabe, Hulk Hogan foi investigado em 1994 por uso de esteróides.

E, quando se fala de wrestling em 2009 temos de falar da família McMahon, dona da WWE, praticamente a única promotora de wrestling – é, pelo menos, aquela que tem maior expressão internacional.

Ora, no âmbito destas audiências foi ouvida a Stephanie McMahon, a filha do patrão da WWE. A bela Stephanie – casada com o matulão do Triple H – revelou, entre outras coisas, que o wrestling é fingido, que a WWE tem actualmente cerca de 10 escritores encarregues de criar as narrativas que vão para o ar e que… Hulk Hogan era um péssimo lutador.

Referindo-se ao facto de que a companhia apenas promove ao estrelato os atletas que consigam interagir com o público – quer os espectadores os amem ou odeiem –, Stephanie explicou assim o sucesso de Hulk Hogan: “ (Para se ter sucesso no wrestling) não se precisa de ser um bom wrestler. Hulk Hogan era um lutador horrível, e ainda é”.

E a malvada da filha do patrão não se ficou por aqui: “ Ele era um lutador terrível. Mas que pessoa carismática! Não se pode negar que Hulk Hogan é uma das maiores estelas na história da nossa indústria e vai sempre ser reconhecido como tal. Mas não era um grande lutador, não tinha técnica.”

Em pleno congresso dos EUA, Stephanie McMahon destruiu todo o imaginário infantil que eu tinha construído em torno do soldado amarelo, do homem com os maiores braços do Mundo, do campeão dos campeões, de Hulk Hogan.

Agora, só falta dizerem que o Triple H não é mesmo o maior… E que isto é mesmo tudo a fingir.  Era o que faltava.

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