Only by the night

Desde “Molly’s Chamber” muita coisa mudou na vida dos irmãos Followill. Bebendo influências à rica terra do Sul dos Estados Unidos, “Youth and Young Manhood” (2003) é um álbum cheio de referências, mais ou menos explícitas, a Lynyrd Skynyrd, Tom Petty ou aos Allman Brothers.

Foi com muita razão que o álbum foi considerado um objecto de revivalismo do southern rock dos anos 70, favorecendo uma atmosfera honky e privilegiando as melodias simples mas chamativas.

Em 2005, “Aha Shake Heartbreak” já nos mostra outra faceta dos Kings of Leon –  porque é deles que falamos. Uma abordagem mais pura e clássica ao rock, sem esquecer as influências sulistas mas alargando o leque a nomes como Led Zeppelin, Neil Young ou os Rolling Stones.

Este é o álbum que começa o processo de estabilização dos Kings of Leon como um dos poucos grupos a procurar fazer rock como se fazia no tempo em que o rock era a principal sonoridade.

“Because of the times” segue esta linha de crescimento, apesar de ser o álbum menos interessante dos Kings e o que se começa a abrir ao mercado dos singles. Certamente, muito menos interessante do que “Only by the Night”, o álbum de 2008 que inclui o single “Use Somebody”, que tem merecido algum airplay nas nossas rádios.

Mas o álbum é muito mais do que isso. E, apesar de Use Somebody ser uma faixa demasiado pop, o restante álbum apresenta diversas composições bastante interessantes. Desde logo, “Closer” e “Crawl”, as duas primeiras faixas do álbum, mostram na perfeição como a voz de Caleb Followill se funde com a guitarra de Mathew Followill.

Porém, algumas questões levantam-se em torno de Only by the Night. Se é verdade que este é o álbum mais neutral dos Kings of Leon, no sentido em que a sua sonoridade não é marcadamente rock, muito mais perto dos U2 dos anos 90 do que dos Allman, não deixa de ser verdade que representa uma abertura da banda a influências que não as do sul dos EUA. E isso tem repercussões ao nível da sonoridade do LP.

Quem ficou fã com o primeiro disco, dificilmente vai considerar este como o melhor da banda – muito menos concordar que representa a maturação musical do grupo. Por outro lado, para quem gosta de boas melodias, algumas letras bastante interessantes e riffs não demasiado profundos que não possam ser apreciados pela generalidade dos fãs, mas também não demasiado simplistas para poderem ser desconsiderados pela crítica, “Only by the Night” pode mesmo ser um dos melhores álbuns dos finais de 2008 a encontrar terreno em 2009.

 

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