Pensamento laranja do dia

Manuela Ferreira Leite escolheu o seu cabeça de lista para as eleições europeias. A escolha recaiu sobre Paulo Rangel, até aqui líder do grupo parlamentar.

Esta escolha tem tanto de insólito como de relativamente parvo. Por um lado, qual o peso que Paulo Rangel tem na Europa? Qual o seu pensamento acerca da União Europeia? O que se sabe das suas posições acerca das questões que mais interessam aos europeus e aos portugueses? Qual o seu projecto para a Europa?

Depois, a parte parva. Por que motivo vai a líder enviar para Bruxelas um dos seus comandados mais fieis e mais úteis em Lisboa? Mais, por que motivo vai o PSD desfazer-se de mais um líder parlamentar – já lhes perdi a conta – a meses do final da legislatura?

Manuela Ferreira Leite prometia devolver a credibilidade e a estabilidade ao partido. Nestes meses de liderança não só isso não se confirmou, como a distância para o PS nas sondagens não tem sido encurtada signifcativamente. O partido não tem sabido retirar os dividendos políticos que a crise económica lhe poderia dar, nem apresentar uma alternativa credível para o país. O PSD parece, irremediavelmente, perdido e sem orientação. E Manuela Ferreira Leite parece ser cada vez mais uma líder a prazo, cuja única responsabilidade é ganhar tempo até que apareça outra figura.

Cada vez mais a direita portuguesa está sem liderança. Cada vez mais quem quer votar centro-direita vê-se obrigado a votar Sócrates. Há uns anos atrás, quem diria que isto seria possível? Muito arrependidos devem estar os que eram contra Marques Mendes.

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2 respostas a Pensamento laranja do dia

  1. Rui Afonso diz:

    Por um lado, qual o peso que Paulo Rangel tem na Europa? Qual o seu pensamento acerca da União Europeia? O que se sabe das suas posições acerca das questões que mais interessam aos europeus e aos portugueses? Qual o seu projecto para a Europa?

    Para te responder a isso (a ti e a todos os portugueses), é que o nome dele foi anunciado. Para que possa começar a campanha e explicar o que pensa da UE, quais as suas posições nas questões que mais interessam aos europeus e aos portugueses e qual o seu projecto para a Europa. O que não faria sentido era sabê-lo antes de ser candidato, enquanto exerce funções em que isso pouco ou nada interessa.

    Por que motivo vai a líder enviar para Bruxelas um dos seus comandados mais fieis e mais úteis em Lisboa? Mais, por que motivo vai o PSD desfazer-se de mais um líder parlamentar – já lhes perdi a conta – a meses do final da legislatura?

    Talvez pela real capacidade que este candidato tem de vencer as eleições a Vital Moreira, ao contrário de muitos outros nomes tão badalados na comunicação social. Quanto a desfazer-se do líder parlamentar, é praticamente irrelevante. As eleições são só em Junho e a tomada de posse algum tempo depois. Mesmo a tempo das férias da Assembleia da República que terminam a escassos dias de novas legislativas e consequente eleição de novo grupo parlamentar, desta feita escolhido por Manuela Ferreira Leite e não por Santana Lopes.

    Quanto às considerações que teces sobre o PSD, ainda à deriva, plenamente de acordo.

  2. “Para que possa começar a campanha e explicar o que pensa da UE, quais as suas posições nas questões que mais interessam aos europeus e aos portugueses e qual o seu projecto para a Europa.”

    Se assim é, o PSD já parte em desvantagem pois o pensamento de Vital Moreira é bem conhecido. Sabemos qual a posição dele em torno de várias das questões que mais interessam nos debates comunitários, essencialmente pela sua carreira política mas também de cronista.

    A Rangel não são conhecidas grandes reflexões acerca da Europa, nem do papel de Portugal na integração europeia. Pode ter muito para dizer, mas o simples facto de partir tão atrasado face a Vital Moreira já não é nada um bom sinal.

    “Talvez pela real capacidade que este candidato tem de vencer as eleições a Vital Moreira, ao contrário de muitos outros nomes tão badalados na comunicação social.”

    É discutível. Rangel é um desconhecido para a grande maioria que chegou a líder parlamentar. Noutra dimensão, Vital é uma figura de renome dentro do PS. Mais do que qualquer coisa, estas eleições deveriam servir para o PSD mostrar para o que vem este ano, marcado por três idas às urnas. Um candidato forte agora deixava claras as intenções do partido e davam uma outra força ao PSD. Assim, a escolha de alguém que faz mais falta cá do que em Bruxelas deixa, irremediavelmente, mais fraco o partido.

    O pior de tudo isto é que não se vê estratégia nas escolhas. Diz-se que se quer cortar com o passado mais recente do partido e apoia-se Santana para Lisboa. Queremos devolver a estabilidade ao grupo parlamentar e vamos substituir o líder a meses do final da legislatura. Percebe-se que este é um prémio para Rangel, que aguentou o partido durante o mandato de Ferreira Leite. Vai para Bruxelas, descansa e ganha um bom ordenado e ganha algum currículo. Mas, para o PSD não é a melhor escolha.

    Vê as coisas por esta perspectiva: Sócrates escolheu um bom candidato sem ter de perder alguém que lhe faria falta para as legislativas; Manuela, para escolher um bom candidato teve de se ver livre do seu mais fiel seguidor. Assim se vê a diferença de estilos e de recursos disponíveis a ambos.

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