Ainda o Bloco Central, uma semana depois

Uma semana depois de Ferreira Leite ter dado a entender que estaria disponível para analisar um cenário de coligação com o PS de Sócrates, a possibilidade da constituição de um Bloco Central para governar Portugal continua a marcar a ordem do dia.

Nestes últimos dias várias têm sido as personalidades que se pronunciaram acerca da possível ligação Sócrates-Leite. Uma das mais relevantes foi Jorge Sampaio que, numa entrevista ao Diário Económico, revelou que a solução do Bloco Central deve ser claramente analisada.

E o antigo Presidente da República foi quem o disse melhor: o Bloco Central deve ser encarado como uma alternativa à inexistência de uma clara maioria absoluta de um qualquer partido ou coligação. Contudo, na ausência de qualquer uma dessas soluções, PS e PSD devem colocar as diferenças de parte – que nesta altura já não são muitas – e assumir a alternativa que melhor pode resolver os problemas de Portugal.

Sem uma maioria socialista, e não parecendo provável que o PSD ganhe sozinho as eleições, o PS de Sócrates teria de arranjar parceiros para aprovar legislação ou para fazer parte do Governo. Em recessão e com o aumento em flecha do desemprego, ligações à esquerda com BE e/ou PCP podem ser piores do que um governo com maioria relativa. Os 2 por cento do CDS – pelo menos nas últimas sondagens – podem não ser suficientes para dar estabilidade governativa aos socialistas.

Resta o PSD, o partido com sentido de Estado e que deve ser capaz de colocar a vaidade partidária de parte, para ajudar os socialistas. Como Sampaio disse, a coligação não tem de passar forçosamente por uma partilha no Governo. Um acordo parlamentar para viabilizar alguns dos documentos essenciais à governação, como o Orçamento do Estado, é capaz até de ser a alternativa mais interessante e que, numa lógica ideológica, compromete menos o PSD.

Ferreira Leite sempre disse que ia devolver a credibilidade ao partido e voltar a fazer do PSD um partido relevante para o exercício da governação. O Bloco Central pode ser o caminho para a salvação do PSD de Ferreira Leite. Basta crescer um bocadinho e colocar as diferenças de parte.

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8 respostas a Ainda o Bloco Central, uma semana depois

  1. Espreme, pá, espreme!😛
    Já agora, o que é «sentido de Estado»?

  2. “To be presidential”, poderia ser uma boa tradução.

    Ter “sentido de Estado”, ao nível partidário, quer dizer assumir-se enquanto um partido com uma clara e real visão para o futuro do país; partido com ambições credíveis para formar Governo e que oferece uma alternativa credível de governo.

    Isto é ter sentido de Estado.

  3. E o que te leva a pensar que BE, PCP e/ou CDS-PP não têm «sentido de Estado»?

  4. BE e PCP não têm sentido de Estado. De forma alguma. São partidos de oposição. Vigilantes. Não se dão bem com o poder. Olha para a curta passagem do BE por Lisboa, a reboque do Sá Fernandes e percebes como o discurso se esvazia quando é determinante.

    Não são partidos capazes do compromisso político e olham para qualquer uma das forças mais poderosas como a encarnação do Demo.

    O CDS não padece desse mal e prova disso é o facto de ser o partido preferido para a coligação, mais tradicional com o PSD mas historicamente tem sido um aliado do PS – sito, Governo Guterres e o CDS de Manuel Monteiro.

  5. O PCP dá-se muito bem com o poder, tens muitos exemplos comparativos disso. Lá porque um partido é contra o regime não significa que não tenha o tal «sentido de Estado», signifique esse chavão o que significar.

  6. Estou a ver as confusões que estás a fazer. Em primeiro lugar, não podes levar em linha de conta na defesa que do PCP que as câmaras ganhas no tempo do PREC sirvam como exemplo do que os comunistas se dão bem com o poder. Desde essa altura o PCP não ganhou nenhuma câmara nova e, quanto muito, conseguiu recuperar algumas em zonas onde a sua predominância é explicada por razões culturais e sociais do que políticas – diz-me em que Câmara nortenha o PCP está em força?

    Depois, não cometas o erro de comprar o nosso PCP a outros PC’s um pouco por esse Mundo fora. Não há razões nenhumas para isso.

    Pode ser um chavão mas, como todos os chavões, tem o seu quê de utilidade e de aplicabilidade. E se existe é porque é útil.

  7. Há-de dar post, isto🙂

  8. Pingback: Qual é o sentido do Estado? : destruição criativa

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