Lógica socrática, pois então

Quem tem seguido o meu twitter sabe que nos últimos tempos há uma dúvida que me tem inquietado: em quem votar nas europeias?

Não cheguei a ponderar a abstenção porque, ingenuamente talvez, não acredito nela. O mesmo se aplica aos nulos e brancos. Contudo, determinado a ir votar no dia das eleições, afigurava-se um verdadeiro bico de obra: em quem votar?

Infelizmente, nesta pré-campanha ou campanha mesmo, com políticos portugueses nunca se sabe bem quando acaba uma e começa a outra, temos ouvido falar de quase tudo menos da Europa e qual o papel que Portugal pode desempenhar na Europa, em função dos novos desafios que se avizinham para o Velho Continente.

A União Europeia é o maior centro de negócios do Mundo,  movimentando milhares de milhões de euros todos os anos. A União é, também, o maior cliente comercial português, para quem mais exportamos e de quem importamos em maior quantidade. Por tudo isto, é importante ponderar e reflectir longamento sobre quem será o nosso melhor representante em Bruxelas.

Vejamos então os candidatos. Confesso que cheguei a considerar Vital Moreira, mas rapidamente percebi que o cronista e o político não se misturam e a minha afeição estava toda votada para o primeiro.

Com todo o respeito que a pessoa me merece, mas Paulo Rangel não é um cabeça-de-lista. Como dizia Morais Sarmento – a seu respeito – nem todos nascemos para liderar e alguns há que ficam bem melhor atrás do líder. Rangel é um desses e apesar de reconhecer o seu mérito em aguentar o PSD de Ferreira Leite na Assembleia não consigo simpatizar com a sua figura. E a simpatia joga um papel importante em tudo isto.

Reconhecendo algum preconceito político e ideológico, nem pensar em votar em BE ou PCP. Não gosto nem simpatizo particularmente com os candidatos, mas essa nem é a principal razão. O meu total desacordo com as políticas desses partidos, aliada à mais completa ambiguidade acerca da ‘aceitação’ do Portugal europeu levam-me a negar claramente o voto nesses partidos.

Sobra o CDS. O CDS que tem Nuno Melo na lsita da frente. E foi aí que me ocorreu a forma mais simples e lógica de resolver esta questão: a proximidade geográfica. Sócrates disse que apoia a recandidatura de Durão à presidência da Comissão porque o homem é português e é importante ter um português num cargo de relevo. Raciocínio entendido.

Então, eu vou ainda mais longe. Sendo Nuno Melo natural do distrito de Braga, concelho de Famalicão, e sendo em representação desse círculo eleitoral que está actualmente na Assembleia da República, parece-me que só pode ser essa a minha escolha, uma vez que também eu sou natural de Braga.

Com isto, levo ao mais alto expoente o raciocínio de Sócrates. Não só o meu candidato é português como é minhoto – e benfiquista, pelo que consta nos corredores dos centristas. Ora, como também eu sou português e minhoto – e benfiquista –  sinto-me melhor representado em Bruxelas por alguém que tenha as mesmas origens.

E está resolvido. Nuno Melo. Vou começar a adoptar esta lógica socrática para tomar outras decisões. Pena foi que não me lembrei disto antes de tirar o curso. Tinha poupado uma carga de trabalhos e podia ter feito Semiótica por correspondência…

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