O caminho de Manuela

Muito tenho eu escrito sobre Manuela Ferreira Leite. E, regra geral, sem usar termos muito abonatórios para a líder laranja. Aliás, a expressão do desencanto perante a actual liderança do PSD não tem partido só deste blogue. Vários são os fazedores de opinião que atiram expressões de descrença para com o  trabalho da líder do partido, nomeadamente no desacordo pela via escolhida para fazer oposição a Sócrates.

Nem a escolha de Paulo Rangel para cabeça-de-lista das Europeias foi pacífica. Muitos – yours truly também – duvidaram da razoabilidade da escolha. Não só por ser um personagem desconhecido e pouco cativante, mas porque a partida de Rangel poderia enfraquecer determinantemente a coesão da liderança de Ferreira Leite. Não esquecer que Paulo Rangel tem sido dos aliados mais próximos da dama-de-ferro de Durão e que sem ele Ferreira Leite fica claramente mais exposta. E se há uma coisa de que todos sabemos é que Manuela não gosta de exposição.

Mas, afinal, pode ser que o curso de acção seguido pela líder tenha algum tipo de probabilidade de êxito. Em primeiro lugar, nesta altura Vital e Rangel estão empatados nas sondagens. Melhor, Vital aparece à frente mas levando em conta a margem de erro, a verdade é que não existe grande coisa a separar os dois candidatos.

Aliás, o cenário está tão competitivo que Sócrates jogou a carta “espanhola”, indo buscar Zapatero para este dar uma injecção de força e ânimo na morna campanha de Vital. Mas, o jogo de Sócrates em muito ultrapassa a realidade das eleições europeias. O nosso PM já está preocupado com as legislativas e com as autárquicas.

Porquê? Porque também aqui as coisas estão a correr mal para os lados do Rato, e a verdade é que o PSD lá vai subindo. Não sendo provável uma vitória laranja, a verdade é que é cada vez mais improvável uma maioria absoluta para Sócrates, cenário esse que era impensável há uns meses. E isto é trabalho da líder.

Ferreira Leite prometeu introduzir no PSD o seu estilo sério, rigoroso e hirto. Fez da credibilidade a sua bandeira. Ameaçou tudo isso com a escolha de Santana para Lisboa. Mas, recompôs-se precisamente porque não altera o tom, não muda o disco e porque mantém o discurso da seriedade e da credibilidade. A prestação nas entrevistas foi melhorando de entrevista em entrevista e o discurso foi ganhando forma e conteúdo.

Agora, apesar da admissão de que comícios não são com ela, apresenta-se como uma verdadeira alternativa a Sócrates, forçando mesmo o regresso do espectro do Bloco Central à mesa da discussão política nacional.

Agora, a semanas da primeiras das três eleições de 2009, o PSD apresenta-se como uma verdadeira alternativa política, com tudo o que de massificador e oco isso pode querer dizer. Não é que haja um claro programa de governo. Porque não há. O que há é uma líder que com a sua cara feia, aspecto rezingão e voz monocórdico vai lembrando os portugueses de que não é com falinhas mansas que isto vai ao sítio. É com mão de ferro e espírito de trabalho.

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