Deixem-se de tretas

Tenho acompanhado com alguma tristeza toda esta confusão em torno das (cada vez mais) patéticas eleições do Benfica. Não encontro melhor expressão para classificar aquilo que se tem passado na Luz do que esta: o que nasce torto, raramente endireita.

Depois de uma época desportivamente frustrante no futebol sénior, a oposição a Vieira levantou a voz e pediu eleições antecipadas. Primeiro, LFV não cedeu. Depois, compreendendo que a oposição não estava tão organizada quanto isso, precipitou a queda da sua direcção. As eleições teriam lugar três meses antes do previsto.

Naturalmente, Bruno Carvalho e Moniz, o rosto do movimento “Benfica, Vencer, Vencer”, ficaram sem tempo para prepararem as suas candidaturas. E, se a de Carvalho avança na mesma, uma vez que serve apenas para marcar posição para futuras guerras, já o grupo de Moniz acabou por lamentar a antecipação e acusar aquilo de que já se suspeitava: falta de preparação para enfrentar uma direcção com oito anos de casa. Mas, afinal, não eram estes que queriam eleições antes do arranque da temporada?

Mas, o que me chateia não é a política atrás das eleições. São as polémicas, as deselegâncias e a brejeirice. Isso sim, preocupa-me. Moniz, aliado ao “Record” criticou Vieira e pediu explicações pelas derrotas no campo; Vieira, que já foi sócio do Sporting e que diz não saber quem lhe paga as quotas no Porto, respondeu dizendo que Moniz esteve 31 anos sem pagar as quotas na Luz; Bruno Carvalho veio dizer que uma análise dos estatutos diz que a demissão dos órgãos sociais por “estratégia” do presidente do clube é ilegal e que Vieira não deveria poder recandidatar-se.

E, atrás de tudo isto paira o fantasma de José Veiga, o dragão de ouro que foi campeão na Luz em 2005, que não se sabe comportar como um benfiquista – porque não o é – tal como mostra o seu comportamento e código de conduta ao longo dos anos em que serviu o Glorioso.

É giro dizer que antes de Portugal ser um país democrático, já o Benfica era um clube que elegia os seus representantes através de sufrágio. Mas, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Vieira não é tão mau presidente quanto a oposição quer fazer acreditar – basta olhar para onde estava o Benfica no final da década de 90 – nem os grupos de oposição são tão insignificantes.

Quer ganhe Vieira, quer haja eleições apenas em Outubro, o Benfica já perdeu muito este defeso. Muito do capital de confiança e de credibilidade que LFL foi construindo desde 2000 esvaiu-se com a negociata por Jesus, a saída de Quique, os comunicados ridículos para a CMVM e agora toda esta confusão em torno da ocupação da cadeira do poder.

Resta saber até que ponto esta instabilidade pode ser prejudicial para a campanha desportiva que aí se avizinha, com treinador novo e director desportivo ainda a apalpar terreno. Ramires, Patric, Shaffer e quem mais vier não vão encontrar um clube em paz. Cabe aos que continuam serem capazes de fazer a integração a esses e, todos juntos, criar condições para o triunfo de Jesus. Eu isso espero. E os outros cinco milhões novecentos e noventa e nove mil também.

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