A sala estava cheia

A sala estava cheia. Não era para menos, uma vez que se tratava da estreia do mais recente filme de Quentin Tarantino, um realizador intemporal que faz da sua paixão e respeito pelo cinema a base de todo e qualquer projecto. A última sessão do dia.

A sala estava cheia. Respirava-se intensidade na sala. Cada trailer era demasiado longo. Cada publicidade era incompreensivelmente ridícula. Nós estávamos lá para uma coisa e só uma: Inglourious Basterds.

A sala estava cheia. Capítulo 1: “Era uma vez na França ocupado pelos Nazis…”. Assim começa a maior obra de Tarantino desde “Pulp Fiction”. Isso é seguro. Agora, será o seu melhor trabalho de sempre?

A sala estava cheia. Cada palavra de Christoph Waltz é escutada com toda a atenção. Seja proferida em francês, alemão, inglês ou italiano. Não podemos deixar escapar nada. Não podemos deixar o filme fugir.

A sala estava cheia. Tarantino transformou a Segunda Guerra Mundial num spaghetti western. E não me incomodo muito com isso. Ele não gosta muito de como o conflito acabou. Propôs outro final. É-lhe permitido adulterar a história. Se calhar, num universo paralelo foi mesmo assim que a guerra acabou.

A sala estava cheia. Brad Pitt é um alucinante judeu com sangue índio, Aldo, o Apache, o líder dos Basterds, um bando de judeus que se infiltra em França para matar nazis. A missão é assim tão fácil. Matar nazis, um por um. Sem pressas. Eles chegam para todos.

A sala estava cheia. Mélanie Laurent passeia-se pela câmara de Tarantino. Os nossos olhos estão onde ela está. Assim com com Diane Kruger, a elegante actriz alemã que se junta aos aliados num esforço para eliminar os nazis. E a música? Não dá para descrever uma banda sonora assim.

A sala estava cheia. Os sacanas sem lei matam nazis. Os nazis matam judeus. Os franceses tentam matar nazis. E Tarantino mostra que, afinal, a história do conflito não estava realmente contada. E, no final, a sala continuava cheia e, apesar de não se ter passado todo o tempo em que os créditos estiveram a passar a bater palmas ao realizador e à sua equipa, a maior parte da sala ficou para ver tudo até ao fim.

A sala esteve cheia para ver a obra maior de Tarantino – sou eu quem o diz. “Inglourious Basterds” é o sonho de qualquer realizador. E só podia ter saído da cabeça de Tarantino.

Depois do filme, a sala ficou vazia.

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2 respostas a A sala estava cheia

  1. Josué Lopes diz:

    A sala estava cheia. Não vás ao médico que não faz falta…

    A sala estava cheia. Dizer que é a obra maior de Tarantino pode ser um paço maior do que a perna, vamos com calma. Para mim Pulp fiction continua a ser o ex-libris dele embora não seja mentira que este talvez fique muito lá perto.

    A sala estava cheia. Seriously man, go see a doctor…

  2. PR diz:

    Grande filme. Como estava a sala, Phil?😉

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