A noite de todas as vitórias

Já se passaram umas horas desde a contagem do último voto nas eleições autárquicas, mas não é tarde para retirar algumas ilações interessantes da noite eleitoral do úlitmo domingo. A mais interessante de todas é o facto de todos os partidos, de uma forma ou de outra, terem cantado vitória.

A começar pelos dois “grandes”, PS e PSD reclamaram para si a vitória no domingo: o PS por ter sido o partido que mais cresceu no número de câmaras e aquele com mais votos; o PSD por ter sido aquele que mais câmaras e juntas conquistou. No entanto, e para dizer a verdade, nenhum dos dois foi realmente o vencedor, pois se é verdade que ninguém cresceu tanto quanto o PS, não deixa de ser factual que os socialistas continuam em segundo lugar no número de câmaras. Contudo, a verdade é que o PSD sozinho tem menos câmaras do que o PS, apoiando-se em coligações com o CDS e outros pequenos partidos para fazer a diferença. E, por exemplo, se no Porto e em Gaia essas coligações têm um efeito quase marginal, a verdade é que em Faro, por exemplo, o PSD nunca teria ganho sem a presença do CDS.

Também não deixa de ser verdade que para o partido que mais perdeu nas úlitmas eleições legislativas manter a supremacia no número de câmaras é um feito notável. Num momento particularmente complicado, o PSD mantém a sua força ao nível autárquico mesmo contra um PS que a nível nacional se prepara para mais quatro (serão mesmo quatro?) anos no poder. Na minha leitura, e depois das três eleições que marcaram 2009, Ferreira Leite e Sócrates ficaram empatados – com a ressalva de Sócrates ter ganho o combate mais importante.

Depois, entre os mais pequenos todos encontraram razões para festejar. Paulo Portas alegrou-se com o crescimento de 1 por cento no CDS nas mesas de voto, sublinhando o maior peso do partido nas coligações e no facto de ter reforçado a posição em Ponte de Lima onde, mesmo sem Campelo, o CDS aumentou a votação.

Jerónimo de Sousa, apesar de ter visto a  CDU repetir o pior desempenho de sempre em eleições autárquicas, também ficou satisfeito com os resultados, sublinhando a vitória em Setúbal como a grande conquista comunista. Apesar de o partido manter influência no Alentejo, a verdade é que o PCP vai desaparecendo, ficando no ar a dúvida sobre qual o destino deste partido quando a sua base de apoio – bastante tipificada – desaparecer?

Depois, o Bloco. Louçã afirmou um crescimento de quase 20% do Bloco nas autárquicas mas, mesmo assim, não conseguiu eleger um vereador nem em Lisboa, nem no Porto. Não deixa de ser interessante reparar que apesar de ter já uma força que a nível nacional tem o seu peso, ao nível autárquico o Bloco é ainda um partido com uma presença bastante residual, ignorado pela maior parte dos eleitores. Depois de um resultado nas legislativas que não pode ser encarado como positivo – o objectivo era ser terceira força política e ‘forçar’ o PS a entendimentos à esquerda – o Bloco tem outro resultado negativo que deve fazer pensar o líder Francisco Louçã. A postura crítica e agressiva no parlamento pode dar votos nas legislativas, mas não dá credibilidade na hora do voto local.

Antes de terminar, uma menção para Felgueiras que voltou a fazer parte do território nacional.

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