Demasiado grandes para um Campo que é Pequeno

Havia expectativa mas muita incerteza. Até ontem à noite, os Franz Ferdinand nunca tinham tocado em Portugal em nome individual. As vindas anteriores ao nosso país haviam sempre sido motivadas por festivais. Conseguiriam eles dinamizar uma sala que se enchera apenas para os ouvir?

A sala escolhida era bem ilustrativa desse aparente receio. O Campo Pequeno, humilde mas bonita sala de espectáculos, não leva mais do que cinco mil pessoas e favorece uma grande proximidade com a banda. Mesmo para quem estava nas galerias, o grupo escocês parecia estar à distância de um braço.

Depois, o aquecimento. As duas bandas escolhidas para arrancar a noite estavam muito longe dos padrões exigíveis para uma noite daquelas. Uma, portuguesa, a outra, americana, não conseguiram em momento algum aquecer as gargantas dos milhares que correram à mais famosa Praça de Touros de Lisboa na noite de ontem. Até às 22h30 a noite não estava a prometer.

Mas, havia Franz. Desde o arranque, ao som de «No You Girls», do novo álbum, passando pelos clássicos mais antigos até ao single de estreia de «Tonight», o frenético «Ulysses», tudo foi tocado com conta peso e medida. Os rapazes estavam à vontade em palco e levaram a plateia à loucura. Durante «This Fire» e «Take Me Out» a casa esteve para cair. E «Take Me Out» até teve direito a uma espécie de very light, um pequeno foguete lançado na plateia e que projectava uma luz vermelha. Escusado será dizer que os pais presentes nas galerias temeram pelos filhos, que andavam a saltar pela plateia do Campo Pequeno. 

Destaque ainda para o final da primeira parte do concerto – antes do encore -, onde uma bateria foi montada na frente do palco e os quatro acabaram a bater com as baquetas a toda a velocidade, motivando o delírio na sala. Se ainda houvesse margem para dúvidas, naquele momento elas desfizeram-se: os Franz Ferdinand tinham conquistado Lisboa.

O concerto foi memorável. Uma noite que fica para a história como um dos melhores concertos do ano em Lisboa e, talvez, o melhor do grupo em Portugal. Ontem à noite, os Franz Ferdinand foram demasiado grandes para um Campo Pequeno a abarrotar pelas costuras e que após duas horas pedia mais e mais e mais.

Só ficou mesmo a faltar tocarem a «Jacqueline». Mas, como diz o Jesus, o concerto foi magnífico e o resto são peanuts.

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