O mentiroso, o referendário e o farol

Já se tem escrito muito sobre o assunto, mas não custa nada juntar mais umas achas para a fogueira: o primeiro-ministro mentiu ao país durante a campanha para as eleições legislativas. Prova disso mesmo é o PEC, o tal programa de estabilidade que prevê combater a situação económica que o próprio Sócrates dizia que não existia. Para os críticos ao actual líder do Executivo, fica mais uma prova da falta de honestidade e rigor intelectual do governante. Mais do que andar numa caça às bruxas para saber o que Sócrates achava sobre a TVI, os opositores ao actual regime têm aqui uma prova real de como o PM mentiu ao país e a todos os portugueses. Pela demonstração desta mentira prova-se também, irremediavelmente, que Ferreira Leite tinha toda a razão quando falava da situação catastrófica do país. Mas pessimismo não ganha eleições. Não em Portugal, pelo menos.

Mais calmo e menos quezilento, talvez por ter encontrado em Sócrates um novo melhor amigo, Alberto João Jardim esteve no Congresso do PSD para apelar a uma profunda reforma do regime político português, uma espécie de 4ª República, por via de um referendo. O mais natural será essa proposta de Jardim cair em saco roto, mas não deixa de ser mais uma voz – e, neste caso, a voz de um governante em funções – a pedir uma completa revisão do funcionamento do poder executivo e legislativo em Portugal.

Se há nota a ressalvar do Congresso do PSD, que juntou as principais figuras do partido, pelo menos aquelas que ainda se interessam pelo partido, é que Pedro Passos Coelho deve ser o novo presidente laranja e próximo adversário de Sócrates. Desde que assumiu a chefia do PS, Sócrates já discutiu com Santana, Mendes, Menezes, Ferreira Leite e, agora, tudo aponta que o próximo opositor será Passos Coelho, o social-democrata mais parecido com Sócrates. O candidato promete a mudança e pode ter a oportunidade para submeter essa proposta de mudança no próximo ano, em caso de eleições antecipadas contra um desgastado, mas ainda líder nas sondagens, José Sócrates. Mas, pelo menos para já, o PSD parece ter encontrado o seu novo farol. Se, como escreve Pulido Valente, este será mais um líder transitório enquanto Cavaco Silva não decide pegar no país, fica para ver. Para já, começa a desenhar-se um combate entre Passos Coelho e Sócrates. Os militantes do PSD podem, dia 26, escolher o próximo primeiro-ministro português.

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