Cuidado com as analogias

Há quem goste de dizer que a situação dos média em Portugal é análoga, ainda que a um nível diferente, da que se vive na Venezuela. Para substanciarem as suas posições, alertam para as terríveis semelhanças entre Sócrates e Chávez.

Naturalmente, tais argumentos têm tanta substância e verdade quanto um pacote de batatas fritas tem de valor nutricional. Não fazendo a defesa da honra do primeiro-ministro, não tenho jeito para propaganda nem consigo defender o nome de pessoas em quem não acredito, trata-se, isso sim, de desmistificar o mito de que a imprensa portuguesa vive debaixo do jugo de uma intrometida classe política.

Na última sexta-feira, Hugo Chávez, esse barão da liberdade, mandou prender o presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga. A Globovisión é uma das mais importantes estações de televisão do país e o seu presidente foi detido por ter dito que “não há liberdade de imprensa  na Venezuela”. Umas horas depois foi libertado.

Já em Fevereiro, a Human Rights Foundation tinha alertado para o seguinte: The Human Rights Foundation (HRF) condemns the recent media crackdown in Venezuela that sent RCTV International (RCTV-I), along with other five cable and satellite TV channels (TV Chile, Ritmo Son, Momentum, America TV, and American Network), off the air last Sunday after they failed to broadcast a speech by President Hugo Chávez. In view of this new attack on freedom of expression, HRF has relaunched its Free RCTV campaign (www.FreeRCTV.com), which aims to raise international awareness about the grave situation of freedom of expression in Venezuela.

Quem insistir em dizer que, no que toca à liberdade de imprensa, não existem diferenças significativas entre Portugal e a Venezuela, das duas uma: ou está cego ou não quer ver.

Duas visões interessantes sobre o episódio: esta e esta.

Esta entrada foi publicada em Eclipses, Sociedade. ligação permanente.

4 respostas a Cuidado com as analogias

  1. PR diz:

    Foi libertado horas depois? Impressionante. É a prova decisiva de que há liberdade de imprensa na Venezuela: um tipo grita aos quatro ventos que existe um caudilho e este nem o consegue manter atrás das grades.

    O contraste com a Birmânia, por exemplo, é óbvio. Aqui não estão com meias tintas: quem critica vai dentro, sem apelo nem agravo. Já na Venezuela vemos apenas um Executivo, habituado a fazer o que lhe apetece, que não convive bem com uma imprensa livre. Não gosta de ser escrutinado nem investigado. Não gosta de ser criticado na praça pública e não gosta de quem diz mal de si. Não gosta, pronto. Tem direito a isso.

    E quem insistir que Birmânia e Venezuela estão no mesmo saco ou está cego ou não quer ver.

  2. sugiro que leias outra vez. desta vez a sério.

  3. RPR diz:

    The point being…? Dizes que essas tais pessoas (nós) consideram as duas realidades comparáveis, ainda que «a um nível diferente», e depois explicitas porque é que o nível é diferente. E daí? Deixam de ser comparáveis?

  4. primeiro, o post não era dirigido a ti,ou a vós. sei por um facto que tenho, pelo menos, mais 3 atentos leitores.

    depois, como dizia o meu professor de música do quarto ano, o mr. klinkman, “words on you are lost”.

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