Is this where your plan ends?

Todos já vimos este filme. Um sedutor galã do cinema de Hollywood está apaixonado por uma bela e delicada actriz. Ao longo do filme, ele, o sedutor, procura conquistar a sua bela e delicada parceira. Começa por enviar uns olhares, inocentes primeiro, lascivos depois. Depois, procura iniciar uma conversa e, sempre que pode, vai-lhe tocando no rosto, no cabelo, nos ombros. Ela, ao início, resiste. Teima em passar a imagem de quem não está a perceber o objectivo do galã, de quem não entende que está a ser seduzida. Mas em breve isso não interessará. Ela morde o isco e está arrebatada.

Essa é a altura em que ela vai até casa dele. Pode haver um jantar ou, pelo menos, um copo de vinho para criar o ambiente. Como ruído de fundo, pode estar a tocar Al Green, por exemplo. Ela está conquistada e já nem disfarça a sua atracção pelo galã. Ele, por outro lado, parece agora estar receoso, duvidoso de qual a acção mais correcta a ter nesta altura. Consegui levar a delicada menina até ao seu covil, mas agora não sabe o que fazer com ela. E, normalmente, é nesta altura que a rapariga lhe pergunta: “Is this where your plan ends?”

E é mais ou menos isto que se está a passar nesta altura em Portugal. O PSD de Passos Coelho andou a namorar a opinião pública, seduzindo-a e fazendo crer que tinha as soluções para o país que o cansado governo Sócrates teimava em não encontrar. Convenceu mesmo o sempre céptico Aníbal que não eram os grisalhos cabelos de Sócrates que iriam corrigir a dívida. Passos Coelho, com a sua voz de tenor, conseguiu levar-nos todos a crer que era o rosto certo para apagar a dívida.

Mas agora que ele conseguiu aquilo que era essencial para chegar rapidamente ao governo, isto é, derrubar a equipa socialista, parece ter congelado como o galã de cinema que não sabe bem o que fazer em função de tudo isto que aconteceu. “Ok, consegui derrubar o governo. E agora?”, deve andar a perguntar Passos.

Agora, o velho e cansado Sócrates já tem a sua estratégia montada: o PSD fez cair o governo, criou instabilidade, forçou a subida dos juros da dívida e não tem alternativas. Aliás, a única coisa que o PSD garantiu que iria fazer no governo era cumprir com as metas dos défices do PS e, provavelmente, aplicar as mesmas medidas que os socialistas. O que traz o PSD de novo, então?

Os próximos meses nos dirão se Passos Coelho não passava de um tease e o seu jogo de sedução mais não era do que um inocente flirt, ou se o homem com voz de trovão se vai revelar num galã de cinema a sério que quando a mulher pela qual está apaixonado lhe pergunta “qual é o plano” ele arrebata-a, encosta-a junto dele e diz: “o plano é este…

… depois apagam as luzes e estas só voltam na cena seguinte.

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