Tiros nos pés

Para todos os efeitos, Domingos Paciência é o melhor treinador da história do Sporting Clube de Braga. Na época de estreia lutou pelo título até ao último minuto da temporada e só perdeu o campeonato porque do outro lado estava o melhor Benfica dos últimos anos. Esta temporada eliminou das provas europeias históricos como o Celtic, Sevilha e Liverpool (todos clubes com conquistas europeias no palmarés), levou o Braga até aos quartos-de-final de uma prova europeia (e pode ir ainda mais longe), galgou terreno no campeonato e está em perfeitas condições de lutar pelo terceiro lugar, depois de em Janeiro ter perdido metade do onze titular.

Parecem estes feitos serem mais do que suficientes para convencer António Salvador, presidente e principal responsável pelo crescimento dos Guerreiros do Minho na última década, a renovar contrato com o treinador que substituiu Jorge Jesus e disse que ia fazer melhor que o seu antecessor.

Contudo, Salvador nunca pareceu muito interessado em renovar o contrato de Domingos, deixando sempre respostas ao estilo Pinto da Costa quando questionado sobre o mesmo tema. Aliás, a imprensa chegou mesmo a noticiar Leonardo Jardim como próximo treinador do Braga, a última paragem na sua ascensão até ao banco do FC Porto.

Posto perante este cenário, Domingos leu por entre as linhas e começou a procurar alternativas para a sua carreira. O período eleitoral no Sporting avizinhava-se e para ganhar vantagem sobre a concorrência o candidato Godinho Lopes terá chegado a um acordo com Domingos para este mudar-se para Alvalade. Acontece que Godinho Lopes venceu as eleições e Domingos não volta com a palavra atrás.

A fazer fé na imprensa de hoje, Salvador terá “tentado” renovar o contrato com Domingos, oferecendo-lhe uma subida no vencimento que, ainda assim, nem sequer se aproximava dos valores auferidos por Jesus, quando o treinador esteve no Braga.

Em todo este processo, parece que a vontade em renovar com Domingos apenas chegou com a eliminatória com o Liverpool e a eliminação do gigante britânico em pleno Anfield Road. Pressão mediática e dos sócios terá levado Salvador a concluir que, pelo menos, tinha de fazer de conta que estava interessado em que o melhor treinador da história do clube ficasse. Na verdade, nunca parece ter tido grande vontade em que esse fosse o cenário.

Estou convencido que se abordado atempadamente, Domingos teria aceitado permanecer em Braga, até porque o seu grande objectivo é treinar o FC Porto e nunca se sabe se a ida para o Sporting pode, ou não, ser um obstáculo nesse caminho.

Salvador prossegue na sua linha de aproximação ao FC Porto, recrutando antigos jogadores dos azuis para diferentes cargos no clube e com resultados diversos (Domingos, Jorge Costa, Fernando Couto, por exemplo) e aceitando receber jogadores que não servem ao Porto e negociando activos do Braga em condições mais favoráveis para os dragões.

Até agora a estratégia tem resultado, mas pode ser que com esta troca de treinadores e a perda de alguém que fez um trabalho brilhante em Braga, António Salvador tenha colocado em causa o próprio projecto que construiu e a sua missão última no dirigismo: tornar o Braga campeão nacional.

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