Alguém nos ajuda?

A sentir os efeitos da mais estúpida crise política de sempre, Portugal está obrigado a pedir ajuda aos seus amigos europeus. Não há grandes margens para manobra e tem de se traçar um limite a partir do qual a sustentabilidade a longo prazo fica comprometida e mais vale admitir a total incapacidade do país em ‘sozinho’ resolver os seus problemas do que prolongar um estado de incoerência prolongado.

A cada dia que passa as agências de notação estão mais próximas de nos colocar no lixo. Os juros da dívida a curto e médio prazo já há muito cruzaram a barreira do admissível e saudosos são hoje os dias dos juros a 7%, valor acima do qual o ministro Teixeira dos Santos, antes de a insanidade ocupar de vez o seu íntimo, tinha definido como necessário pedir ajuda.

Os agentes políticos estão cada vez mais perdidos. O governo continua a dizer que não precisamos de ajuda, que sozinhos podemos chegar lá e Sócrates acena mesmo com a esperança de um coelho na cartola para garantir o contínuo financiamento do país a taxas aceitáveis. A oposição, PSD à cabeça, continua sem saber muito bem o que deve fazer. À direita não fazem nada pois sabem que se chegarem lá vão ter de fazer pior e medidas de austeridade não ganham eleições. A esquerda passa agora a fantasia de uma união de facto, com Louçã e Jerónimo de mãos dadas a prometer o paraíso na terra e a dizer que a austeridade é uma coisa da burguesia.

E depois temos o Presidente da República que deixou que as coisas atingissem este estado de balbúrdia na esperança que a bonança chegasse depois da tempestade. É uma jogada arriscada, essa, de deixar que o país pare durante 3 meses no ano mais difícil desde o fim da ditadura com o único propósito de correr com o primeiro-ministro no poder.

Posto tudo isto, e perante a iminência de ver mais empresas públicas sem dinheiro e salários por pagar, depois de a própria banca ter dito que não empresta mais dinheiro ao governo, não restam alternativas reais que não passem pelo pedido de ajuda – que devia ter sido feito logo em 2010, ou mesmo em 2009, quando Portugal tinha outra posição negocial – que deve ser feito antes que seja tarde demais.

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