O dia depois do grito de ajuda

Ontem José Sócrates fez o discurso que deveria ter feito há um ano atrás. Desde os primeiros momentos que se percebeu que este governo não teria capacidade para resolver o problema das contas públicas nacionais e assegurar o financiamento a taxas razoáveis da economia nacional. Contudo, investido por um exagerado sentido de “patriotismo” Sócrates evitou até ao último momento pedir ajuda aos seus parceiros e amigos europeus. Perdeu o país, perderam os portugueses que ficaram mais pobres. E este pedido não está relacionado com o chumbo do PEC IV (que foi para a frente na mesma). Não. Este pedido de ajuda está ligado à incapacidade de governo e oposição assumirem uma postura de defesa do interesse nacional e seriamente resolverem os problemas que afectam a economia nacional.

Como seria de esperar, as reacções internacionais ao pedido de ajuda foram positivas. Não só os juros a todos os prazos para o Estado e os bancos – principais responsáveis por este pedido, depois de terem recusado comprar mais dívida e alertarem para possíveis problemas no acesso ao financiamento externo – baixaram, como a própria bolsa registou ganhos sem paralelo este ano.

Os espanhóis do El País escrevem que o resgate andará à volta dos 75 mil milhões de euros e que o grupo de trabalho da UE começa hoje a trabalhar no pedido português. O diário salienta ainda que a situação espanhola é diferente e que o que tramou Portugal foi o invisível crescimento económico do país. A CNN destaca que finalmente Portugal percebeu que a ajuda era inevitável, sublinhando o pedido de Durão Barroso para que a verba necessitada seja disponibilizada o quanto antes.

O artigo publicado no site da CNN destaca ainda a opinião de um analista que refere que embora este resgate elimine os receios de bancarrota no curto prazo, não significa o fim da austeridade. Quanto muito, refere, “é o fim do princípio” da longa travessia no deserto que o país tem pela frente. Recorde-se que entre Abril e Junho Portugal terá de pagar 9 mil milhões de euros por empréstimos pedidos.

Vêm aí tempos muito difíceis, de uma austeridade sem igual na história do Portugal moderno. Mais importante do que arranjar culpados, o que interessa agora é preparar o país para as dificuldades que vêm aí, para os cortes nos salários, subidas dos impostos e reduções dos subsídios. Dependendo do pacote de medidas a negociar e acordar com a União Europeia, o país tem de se mentalizar que os próximos anos serão muito, muito difíceis.

Resta a esperança que se aprenda a lição e que quando emergir desta crise Portugal esteja mais forte e num caminho de crescimento e não de estagnação e paralisação.

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