Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

A caminhada de Pedro Passos Coelho para São Bento não começou bem. Em primeiro lugar, não conseguiu descolar da imagem de irresponsável que Sócrates habilmente lhe etiquetou. Depois, tem acumulado uma série de trapalhadas desde o anúncio mal explicado do aumento do IVA, a suspensão da avaliação dos professores e a mais recente “contratação” de Fernando Nobre para encabeçar as listas do partido em Lisboa.

Hoje também se soube que três antigos líderes do partido recusaram convites de Passos Coelho para ocuparem outro tipo de funções dentro da estrutura laranja. Marques Mendes e Ferreira Leite recusaram convites para serem deputados, Luís Filipe Menezes rejeitou ocupar um cargo no partido por querer terminar o mandato em Gaia – quem sabe a preparar caminho para atravessar o Douro.

Também António Capucho recusou ser deputado por Lisboa – aparentemente, foi a terceira escolha para liderar as listas e Nobre terá sido apenas a quarta –, alegando razões “íntimas” para o chumbo.

E no meio de tudo isto está Passos Coelho, o outrora inevitável futuro primeiro-ministro, que hoje enfrenta adversidades e obstáculos imprevistos quando estalou a crise política. Sócrates foi mais hábil e colou na opinião do cidadão comum a ideia que ele teria conseguido resolver os problemas e Passos Coelho é o responsável por todas as adversidades que o FMI irá trazer consigo.

A última sondagem da Intercampus mostra que a vantagem do PSD sobre o PS é agora de pouco mais de 5%, uma magra superioridade laranja quando comparada com os valores registados há um ou dois meses. Pior, com o CDS perto dos 10% a coligação de direita não consegue reunir a maioria absoluta, tornando o PS de Sócrates mais do que relevante. Torna Sócrates determinante.

É natural que com o arranque da campanha o discurso de Passos Coelho seja afinado e que a vantagem do PSD cresça, uma vez que a insatisfação que se alastra a todos os sectores do país deverá acabar por penalizar quem o tem governado. Mas, mesmo assim, não deixa de ser preocupante ver que a ausência de um programa e de um plano para sair da crise tem penalizado o PSD numa fase ainda embrionária da campanha e mostra que Sócrates está muito vivo.

Com tantas más notícias, Passo Coelho precisava mesmo que alguém de dentro do seu partido lhe desse a mão. Mas o PSD parece disposto a implodir e os ‘ilustres’ membros do partido não estarão muito interessados em serem solidários com o actual líder – eventualmente a preparar caminho para o que acontecerá se Coelho e Portas não foram suficientes para formar um governo de maioria e a coabitação com Sócrates se tornar num imperativo.

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