Incrédulos e desconfiados, a gente vai continuar?

Domingo à noite saberemos quem é o novo Primeiro-ministro de Portugal. Saberemos também se as sondagens que têm saído nos últimos dias estão perto ou longe da realidade. Ficaremos, então, a saber se o povo é capaz de perdoar e acreditar em Sócrates ou, pelo contrário, se o vai condenar e castigar pelo cataclismo que se abateu sobre Portugal.

Contudo, independentemente dos resultados de domingo, há uma coisa que já sabemos: não há em Portugal estadistas, políticos que possam unir o país e falar com frontalidade ao mesmo. Reparemos no caso de Passos Coelho. Não creio que estarei muito enganado se disser que em nenhum outro momento da democracia em Portugal houve condições para que um candidato vencesse as legislativas total conforto e à vontade.

Não nos esqueçamos que o país está endividado, em quebra de produção, em recessão, com o desemprego a disparar e debaixo do guarda-chuva da ajuda externa. Perante tudo isso, seria de esperar uma goleada do PSD ao PS. Puro engano e equívoco ingénuo. O animal feroz que se chama Sócrates galgou terreno e aproveitou a lentidão da tartaruga Passos Coelho para a apanhar. Tão juntinhos estão que nesta altura há quem diga que estão mesmo empatados. No domingo veremos se as sondagens estão erradas ou se o português tem mesmo uma memória curta.

Mas o pior nem é isto. O pior é que as alternativas, as escolhas que se colocam diante do eleitorado não satisfazem nem convencem os portugueses. Estamos reduzidos a escolher entre o mau e o terrível e este tipo de cenários não potencia aquilo que de melhor o país tem.

Por exemplo, é incrível como nenhum dos candidatos tenha dito abertamente tudo aquilo que o entendimento com o triunvirato implica para o país. Pior do que não explicar devidamente, o governo achou por bem esconder uma actualização do mesmo que é ainda mais exigente e apertado, nomeadamente ao nível dos prazos a cumprir.

Nem Portas, nem Passos tiraram tempo para explicar o que este acordo vai representar para o futuro de Portugal. Sócrates, naturalmente, foge disso como o diabo da cruz e diz apenas que com o PEC IV é que era e que a direita é a responsável pela situação que se vive no país. Os outros dois camaradas nem entram nestas contas e apenas pedem a renegociação da dívida, sem acreditarem muito bem nela nem perceberem o que isso implica.

Nestas eleições não estão em causa projectos de governo nem ideologias políticas. Não interessa se é esquerda ou direita, se quer a avaliação dos professores ou não. O programa de governo já foi escrito e assinado e será vigiado por três entidades estrangeiras – numa sinal claro de desconfiança deles em relação a nós. Aquilo de que Portugal precisa é de um líder, alguém que mexa com o povo, o motive e o leve a acreditar no país, a acreditar que é possível crescer, que é possível viver melhor, que Portugal é mais do que isto, é melhor do que isto e que os portugueses são capazes de tornar o seu país num exemplo de qualidade de vida e justiça social e económica.

Esta será das últimas oportunidades que Portugal tem de se salvar a si próprio, de escolher entre ser uma província Europeia ou um parceiro com voz. Esta é a última oportunidade para os portugueses cumprirem Portugal.

Mas, incrédulo e desconfiado, fico pasmado perante a indiferença dos políticos, perante a sua insensibilidade e aparente indiferença para com a situação do país real e continuam a gastar milhões em almoços, arruadas e jantares, comícios e cartazes, enquanto cada vez mais pessoas dependem do Banco Alimentar para ter o que comer.

Sem um líder carismático, genuíno e frontal, capaz de explicar devidamente às pessoas aquilo por que elas vão passar nos próximos anos mas, ao mesmo tempo, com um plano apropriado para iniciar a recuperação do país, os eleitores vão mesmo escolher entre o pior de duas soluções más, uma pior que a outra.

Pelo bem do país, espero que a escolha não caia sobre Sócrates. Se assim for, se mais uma vez o eleitorado entregar ao engenheiro de domingo as chaves para o país então, se calhar, é porque já desistiu e não tem confiança no país. E se assim for, se calhar merecemos aquilo que nos está a acontecer. E se assim for, a gente vai continuar?

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