Fiquei extremamente perturbado quando li esta notícia no Bltiz: uma jovem inglesa, de 13 anos, suicidou-se e a mãe culpa a banda favorita da filha, os My Chemical Romance, pelo sucedido.

Conta o pai que a menina se auto-flagelava e que praticava rituais de iniciação emo. Eles, claro, achavam isso tudo normal. Era uma moda, conta a mãe da menina.

Depois do massacre de Columbine, em que Marylin Manson foi considerado um dos culpados pelo comportamento dos jovens, volta-se a discutir a influência que as letras podem exercer sobre os jovens.

Para mim, isto parece-me demasiado curto e conveniente. Os pais achavam normal e da idade que a rapariga cortasse os pulsos de vez em quando? E que era moda a consulta de sites emo?

Se calhar, para justificarem o suicídio de uma menina de 13 anos, os pais refugiam-se nas letras provocadoras (?) dos My Chemical Romance, quando na verdade poderiam e deveriam olhar mais para dentro e para si mesmos.

Se esta relação entre música mais sombria tiver correlação directa com comportamentos suicidas, então a escuta de algumas faixas da Beyoncé, Britney Spears ou Jessica Simpson poderá contribuir para a banalização do sexo por parte das meninas. Assim como, seria legítimo dizer-se que todas as pessoas que gostam de 50 Cent transformam-se em ‘gangsters’ de bairro.

Isso é claramente falso. Todos somos capazes de interiorizar e aceitar aquilo que quisermos da música. Claro que há umas que nos tocam mais do que outras, e algumas das quais aceitamos a mensagem. Porém, devem imperar o bom senso e temos de ser capazes de perceber qual a mensagem que estamos a interiorizar.

Se os pais desta menina se tivessem interessado um pouco mais pela sua vida, perguntado por que razão andava a cortar os pulsos, tratado de arranjar ajuda méidca para ela, talvez a pequena Hannah ainda estivesse viva.

Quando um filho se suicida aos 13 anos, os pais não se podem demitir e apontar os dedos a uma banda rock. Custará, com toda a certeza, aceitar que se deixou a filha chegar a um ponto de saturação, mas esta terá sido a realidade. E, numa altura de vazio, a jovem terá encontrado nos My Chemical Romance o conforto de que precisava.

Como perguntou Manson no documentário “Bowling for Columbine”, “where were the parents?” É isso, onde estavam os pais de Hannah?

Ler a notícia aqui.

Luís Filipe Vieira e Rui Costa estiveram hoje em Manchester a negociar o regresso de Sven Goran Eriksson ao Benfica, já na próxima época. E, ao que tudo indica, o actual treinador do Manchester CIty vem mesmo. É o retorno do último treinador revolucionário no futebol do Benfica, o homem que levou o Glorioso a duas finais europeias e a três campeonatos nacionais.

Verdade que os tempos são outros e a realidade de hoje é bem diferente da de 82, mas o bom Sven está de volta. Vamos ver com quem vai trabalhar, referindo-me a jogadores mas também à estrutura técnica - quem será o adjunto? Já se falou em Toni, Mozer e Chalana - e directiva do Benfica 2009.

Escolhendo um estrangeiro, não se escolhe alguém sem qualquer noção da realidade do futebol português, o que é um bom sinal. Tal como bom sinal também é o facto de Rui Costa ter estado envolvido na negociação, significando que esta também é uma aposta sua. Não acho tão positivo que o jogador do Benfica tenha ido a Manchester a meio de uma semana de jogo, mas tendo em conta a especificidade do seu actual e futuro papel na Luz, aceita-se.

Vem aí Eriksson. Virão títulos?

Birmânia em apuros

Maio 6, 2008

O ciclone que varreu a Birmânia já terá causado mais de 22 mil mortos. De acordo com relatos no local, os sobreviventes estão a atirar os corpos dos mortos ao rio, em total desespero. Não há água e o arroz está a acabar. A destruição provocada pelo “Nargis” alastra-se por 30 quilómetros.

A descrição de Dan Rivers, o primeiro jornalista Ocidental a chegar ao local, são impressionantes e o repórter da CNN dá mesmo conta de cenas perturbadoras, como o de uma senhora que andou sobre corpos mortos até chegar a um abrigo. Os corpos eram de sem-abrigos que dormiam na rua e foram apanhados de surpresa.

Mais aqui e aqui.

A Scarlett já foi

Maio 5, 2008

“Les acteurs Scarlett Johansson et Ryan Reynolds sont fiancés, a indiqué le porte-parole de la comédienne américaine.

Marcel Pariseau a confirmé la nouvelle après sa révélation par le magazine People. «Ils sont tous les deux ravis», a indiqué M. Pariseau au journal, selon qui «le couple n’a pas fixé de date pour le mariage»”.

A nova musa do Woody Allen vai deixar de jogar na equipa das solteiras. Só espero que esta nova realidade não tenha consequências ao nível da qualidade da sua representação. Detestava deixar de a ver naqueles papéis intensos e emocionais a que ela nos habituou…

E chegaram aos 31

Maio 5, 2008

Finalmente, o Real Madrid alcançou o Benfica em número de títulos nacionais conquistados (31). Agora que esperamos pela chegada do nosso parceiro Europeu, podemos voltar a ganhar. Não se estava mesmo a ver que o Benfica apenas estava à espera do Real?

Já chega. Nem as certezas dadas pelos jogadores ao treinador bastam para ganhar um joguinho. Antes, não ganhávamos em casa. Agora, nem na Luz nem longe dela. Acabem lá com isto, e vamos começar a pensar na próxim época, com ou sem Champions.

O criador do LSD, o cientista suíço Albert Hoffman, morreu esta semana aos 102 anos. Ele, que afirmara sempre que a descoberta do LSD fora um engano calculado, foi a primeira pessoa a tripar sob o efeito dessa droga alucinógenia, que viria a marcar a experiência psicadélica dos anos 60.

A 16 de Abril de 1943, estava Hoffmann no seu laboratório a trabalhar no seu 25º composto de dietilamida de ácido lisérgico, ou seja, o LSD-25, criado a partir da ferrugem do centeio. Nesse dia, uma pinga do composto terá caído na sua mão e entrado no seu organismo, ou através de inalação, ou através de absorção da pele. Durante o resto do dia, o cientista foi invadido por alucinações em série. Foi descansar para casa.

No dia seguinte, entrou no laboratório decidido a verificar se as alucinações eram efeito da ’sua’ droga. Tomou uma dose cinco vezes superiror àquela que é necessária para começar a ter alucinações. Receando ficar doente, pegou na bicicleta e iniciou a jornada até casa. A trip apanhou-o a meio do caminho. Para todo o sempre, os fiéis daquela droga, recordarão o dia 17 de Abril como o ‘dia da bicicleta’.

As alucinações desse dia foram particularmente aterradoras, mas no dia seguinte estava em óptimas condições.

Hoffman, que publicou um livro sobre a descoberta do LSD em 1976, “LSD, o meu filho problemático”, foi sempre crítico para com aqueles que, no seu entender, arruinaram a droga. Como, por exemplo, Timothy Leary, um ícone da geração dos anos 60, que advogou a utilização da droga, garantindo os seus fins terapêuticos e espirituais. Por causa desses abusos e dos relatos de trips que correram mal, a droga acabou por ser ilegalizada.

Esta foi a última trip de Albert Hoffman.

Mais aqui.

 

Quem ganha com o arroz?

Abril 30, 2008

“This time round, agricultural prices may be driven by a classic hoarding response. Various countries have restricted agricultural exports to their neighbours in an attempt to safeguard supplies for their local populations.

Even in prosperous America, Sam’s Club and Costco, both discount bulk retailers, have restricted the amount of rice that customers can buy. There is no surer way of creating a buying panic than declaring a shortage. In such circumstances, prices can be driven well above their likely long-term value.”

Por que motivos aumentou o preço do arroz? Quem tem lucrado com isso? Como sair desta situação? Como tem o mercado de valores reagido perante toda esta situação? Tudo isto está respondido aqui.

Stevie Ray Vaughan

Abril 29, 2008

Como diria o meu amigo Josué, o Hendrix branco. “Texas Flood”.

 

Sempre Glorioso

Abril 28, 2008

A época do Benfica já atingiu níveis inqualificáveis. O que dizer acerca de uma equipa que nos foi vendida como a melhor da década, que representa o maior investimento actual do futebol português – superior a 30 milhões de euros líquidos – e que sistematicamente falha em apresentar resultados condizentes com a imagem histórica do clube e com a política de comunicação da sua Direcção?

A grande lacuna do Benfica 07/08 começou no topo. Vieira viu mal qual o papel que poderia efectivamente desempenhar no futebol, tentou ser um Pinto da Costa à moda da Luz e revelou-se num digno sucessor de Vale e Azevedo. Do discurso, quase sempre inócuo, nunca saíram coisas boas. No final da primeira jornada mandou uns filetes ao capitão da equipa, em Outubro já apregoava Rui Costa como futuro presidente do Benfica. Correu tudo mal.

Despedir um treinador à passagem da primeira jornada tem tanto de corajoso como de estúpido. Vieira não queria Fernando Santos e sonhava com Camacho. Saiu-lhe pior a emenda do que o soneto. O espanhol revelou-se apático, amorfo e passivo perante tudo aquilo que foi sucedendo. À quinta jornada, Camacho já falava em segurar o 2º lugar.

Mas, Camacho saiu e os problemas continuaram. A equipa joga sem alegria, sem empenho e não consegue deixar os problemas pessoais no balneário. Jogadores como Léo, Rodriguez, Katsouranis, Luisão e Nelson, entre outros, estão, por ordens de ideias diferentes, a contemplar o seu futuro que, na maioria dos casos, não deverá passar pela Luz. Em função do rendimento nesta época, diria que apenas tenho pena de ver partir os dois primeiros.

Em boa verdade, que jogador consegue singrar no Benfica de hoje? Poucos. Andamos enganados com os 21 golos de Cardozo. Com o número de golos que o jogador – cuja aquisição, com a compra da totalidade do passe, ultrapassou os 10 milhões de euros – falha por partida, deveria ter, pelo menos, mais 10. É bom jogador, mas não vale aquilo que se pagou por ele.

Miccoli foi um dos últimos jogadores que, vindo bem referenciado, rendeu claramente ao Benfica. Katsouranis desapareceu esta época, Luisão tem vindo a eclipsar-se desde 2005 e Di Maria teima em não crescer. Mas, num clima de permanente instabilidade, como pode um jogador ter sucesso na actual estrutura do Benfica? Com o balneário de tal maneira exposto, com os jogadores de tal maneira desunidos – que falta faz um capitão a sério – com Rui Costa a desempenhar o papel híbrido de treinador/director e estando o balneário tão exposto, a verdade é que não há condições para os jogadores jogarem aquilo que, potencialmente, sabem.

Em 2005, chegou-se a falar de Lisandro López para o Benfica. O jogador acabou no Porto, mas não foi um sucesso imediato. Teve de trabalhar e crescer até começar a aparecer, paulatinamente, no onze. Hoje, é o jogador mais decisivo da equipa. Os quase 30 golos marcados esta época provam isso mesmo.

Mas, caso Licha tivesse vindo para o Benfica, hoje não seria o jogador que é. Ou, pelo menos, não o seria no Benfica, pois ao fim de 6 meses teria sido despachado. Como foi Bergessio, que eu mal vi jogar.

Na próxima época o Benfica não pode cometer os mesmos erros, sob pena de não poder jamais voltar a reclamar para si o estatuto de equipa grande. A época do Glorioso é, para ser simpático, medíocre. Um clube grande não vive de épocas medíocres. O Barcelona, está a uma distância média do Real, mas ainda está na Liga dos Campeões. Independentemente do desfecho, já se fala em fracasso. Para se ser um clube grande, tem-se de pensar em grande.

Se o clube não optar por mudanças estruturais de fundo, podemos esquecer as próximas épocas. Estes meses têm de servir para reflectir e, posteriormente, agir no sentido de garantir que o Benfica possa ser aquilo que está no seu ADN: Glorioso. Sempre Glorioso.