Falta cumprir Portugal

Fevereiro 4, 2010

Quando os nossos governantes e deputados se decidirem a deixar de brincar com coisas sérias, avisem-me. Eu fico à espera.

No futuro, todos os computadores serão assim. Steve Jobs explica.

Parte 1.

Parte 2.

Parte 3.

Parte 4.

… well, it’s my birthday too.

Harvester of Sorrow

Janeiro 15, 2010

Lisboa vai ser a capital mundial do metal durante duas noites. Uma era, manifestamente, pouco.

O Departamento de Audiovisuais d’Os Coxos Futebol Clube acaba de lançar mais um vídeo de tributo e homenagem a um seu atleta. Desta feita, o contemplado sou eu mesmo, capitão e presidente do Império Coxeano.

Avisam-se desde já os potenciais interessados em ver as imagens: este é um vídeo satírico, para não ser levado a sério e que apenas serve para dar conta da muito boa disposição que irradia do balneário Coxo. Naturalmente, estes pequenos bloopers não são para serem levados a sério.

Tudo é a brincar menos a banda sonora. Essa é de impor respeito. O vídeo do atleta mais bonito d’Os Coxos está à distância de um clique.

Desde já o meu agradecimento ao editor responsável, o jovem Luís Romano.

 

Havia expectativa mas muita incerteza. Até ontem à noite, os Franz Ferdinand nunca tinham tocado em Portugal em nome individual. As vindas anteriores ao nosso país haviam sempre sido motivadas por festivais. Conseguiriam eles dinamizar uma sala que se enchera apenas para os ouvir?

A sala escolhida era bem ilustrativa desse aparente receio. O Campo Pequeno, humilde mas bonita sala de espectáculos, não leva mais do que cinco mil pessoas e favorece uma grande proximidade com a banda. Mesmo para quem estava nas galerias, o grupo escocês parecia estar à distância de um braço.

Depois, o aquecimento. As duas bandas escolhidas para arrancar a noite estavam muito longe dos padrões exigíveis para uma noite daquelas. Uma, portuguesa, a outra, americana, não conseguiram em momento algum aquecer as gargantas dos milhares que correram à mais famosa Praça de Touros de Lisboa na noite de ontem. Até às 22h30 a noite não estava a prometer.

Mas, havia Franz. Desde o arranque, ao som de «No You Girls», do novo álbum, passando pelos clássicos mais antigos até ao single de estreia de «Tonight», o frenético «Ulysses», tudo foi tocado com conta peso e medida. Os rapazes estavam à vontade em palco e levaram a plateia à loucura. Durante «This Fire» e «Take Me Out» a casa esteve para cair. E «Take Me Out» até teve direito a uma espécie de very light, um pequeno foguete lançado na plateia e que projectava uma luz vermelha. Escusado será dizer que os pais presentes nas galerias temeram pelos filhos, que andavam a saltar pela plateia do Campo Pequeno. 

Destaque ainda para o final da primeira parte do concerto – antes do encore -, onde uma bateria foi montada na frente do palco e os quatro acabaram a bater com as baquetas a toda a velocidade, motivando o delírio na sala. Se ainda houvesse margem para dúvidas, naquele momento elas desfizeram-se: os Franz Ferdinand tinham conquistado Lisboa.

O concerto foi memorável. Uma noite que fica para a história como um dos melhores concertos do ano em Lisboa e, talvez, o melhor do grupo em Portugal. Ontem à noite, os Franz Ferdinand foram demasiado grandes para um Campo Pequeno a abarrotar pelas costuras e que após duas horas pedia mais e mais e mais.

Só ficou mesmo a faltar tocarem a «Jacqueline». Mas, como diz o Jesus, o concerto foi magnífico e o resto são peanuts.

20 anos depois

Novembro 10, 2009

O muro caiu há 20 anos. Mas muito mais ainda há para fazer. Fica a narrativa de um dos dias mais importantes da história da humanidade através das palavras de Ken Walsh, correspondente da US News Weekly para a Casa Branca e que estava em Berlim no dia em que Ronald Reagan pediu a Gorbachev para “derrubar” o muro.

 

O lobo adormeceu

Novembro 2, 2009

Para todos aqueles que cresceram a ouvir a emissão da “Hora do Lobo”, na antiga Rádio Comercial, a morte do radialista António Sérgio não deixa de causar alguma impressão. Voz inconfundível, é tão irrefutável quanto determinante o seu contributo para o progresso e a afirmação de uma certa forma de estar e de sentir a música em Portugal. Desde locutor a produtor, António Sérgio tudo fez para promover a música, portuguesa ou de outra nacionalidade, dentro deste país tão ingrato para aqueles que fazem da coisa cultural a sua causa.

Para quem quiser recordar António Sérgio fica (provavelmente) a última entrevista televisiva do “John Peel” português, o homem que foi escorraçado da Rádio Comercial e recuperado pela Radar. A entrevista foi dada a Fernando Alvim, em Agosto, por altura do “Cinco para a Meia-Noite”. O lobo merecia mais.

King James

Novembro 2, 2009

A nova temporada da NBA começou na semana passada. Uma das estrelas da competição é LeBron James, a vedeta dos Cleveland Cavaliers. O jovem prodígio, a quem chamam “King James”, é visto como o melhor jogador a aparecer no campeonato desde Michael Jordan. O número é o mesmo mas o estilo é bastante diferente.

No caminho para o domínio da Liga, LeBron tem a concorrência de Kobe Bryant, o actual melhor jogador da NBA e MVP da final do ano passado que os Lakers ganharam aos Magic. Para esta temporada fica o desafio já lançado ao Rei de Cleveland: levar os  Cavs à final. Para o ajudar, os Cavs recrutaram Shaquille O’Neal, uma das presenças mais dominantes da história da NBA e que tem como missão escudar o jovem rei. Ele que também foi o responsável pelos primeiros títulos de Kobe.

Não vai ser fácil para King James levar os Cavs à final. Nesta altura, Cleveland tem duas derrotas em quatro jogos, estando em segundo lugar na sua divisão e em oitavo na conferência. Se a fase regular acabasse hoje, teriam de defrontar os invictos Celtics nos playoff. E todos nós queremos mais uma final entre os Celtics e os Lakers. 

Mas, seja como for, James é um brilhante jogador e está no último ano do contrato com os Cavs. Será que na próxima época veremos King James a entreter uma nova corte?

Para os que desconfiam de LeBron, aqui fica o vídeo das dez melhores jogadas do Rei sem anel na época passada, ano em que foi considerado o MVP da fase regular.

Já se passaram umas horas desde a contagem do último voto nas eleições autárquicas, mas não é tarde para retirar algumas ilações interessantes da noite eleitoral do úlitmo domingo. A mais interessante de todas é o facto de todos os partidos, de uma forma ou de outra, terem cantado vitória.

A começar pelos dois “grandes”, PS e PSD reclamaram para si a vitória no domingo: o PS por ter sido o partido que mais cresceu no número de câmaras e aquele com mais votos; o PSD por ter sido aquele que mais câmaras e juntas conquistou. No entanto, e para dizer a verdade, nenhum dos dois foi realmente o vencedor, pois se é verdade que ninguém cresceu tanto quanto o PS, não deixa de ser factual que os socialistas continuam em segundo lugar no número de câmaras. Contudo, a verdade é que o PSD sozinho tem menos câmaras do que o PS, apoiando-se em coligações com o CDS e outros pequenos partidos para fazer a diferença. E, por exemplo, se no Porto e em Gaia essas coligações têm um efeito quase marginal, a verdade é que em Faro, por exemplo, o PSD nunca teria ganho sem a presença do CDS.

Também não deixa de ser verdade que para o partido que mais perdeu nas úlitmas eleições legislativas manter a supremacia no número de câmaras é um feito notável. Num momento particularmente complicado, o PSD mantém a sua força ao nível autárquico mesmo contra um PS que a nível nacional se prepara para mais quatro (serão mesmo quatro?) anos no poder. Na minha leitura, e depois das três eleições que marcaram 2009, Ferreira Leite e Sócrates ficaram empatados – com a ressalva de Sócrates ter ganho o combate mais importante.

Depois, entre os mais pequenos todos encontraram razões para festejar. Paulo Portas alegrou-se com o crescimento de 1 por cento no CDS nas mesas de voto, sublinhando o maior peso do partido nas coligações e no facto de ter reforçado a posição em Ponte de Lima onde, mesmo sem Campelo, o CDS aumentou a votação.

Jerónimo de Sousa, apesar de ter visto a  CDU repetir o pior desempenho de sempre em eleições autárquicas, também ficou satisfeito com os resultados, sublinhando a vitória em Setúbal como a grande conquista comunista. Apesar de o partido manter influência no Alentejo, a verdade é que o PCP vai desaparecendo, ficando no ar a dúvida sobre qual o destino deste partido quando a sua base de apoio – bastante tipificada – desaparecer?

Depois, o Bloco. Louçã afirmou um crescimento de quase 20% do Bloco nas autárquicas mas, mesmo assim, não conseguiu eleger um vereador nem em Lisboa, nem no Porto. Não deixa de ser interessante reparar que apesar de ter já uma força que a nível nacional tem o seu peso, ao nível autárquico o Bloco é ainda um partido com uma presença bastante residual, ignorado pela maior parte dos eleitores. Depois de um resultado nas legislativas que não pode ser encarado como positivo – o objectivo era ser terceira força política e ‘forçar’ o PS a entendimentos à esquerda – o Bloco tem outro resultado negativo que deve fazer pensar o líder Francisco Louçã. A postura crítica e agressiva no parlamento pode dar votos nas legislativas, mas não dá credibilidade na hora do voto local.

Antes de terminar, uma menção para Felgueiras que voltou a fazer parte do território nacional.